SEA IS CALLING

setembro 02, 2017


O FRIO CONTRA AS MINHAS PERNAS pareciam facas contra a pele, quase como se espetassem até ao osso. Doía tanto que parecia que paralisava o sangue, era quase torturante a maneira como agua batia tão forte, com pequenas partículas de areia que arranhavam-me a pele, continuei a avançar, sem medo. Mesmo assim o coração batia tão forte que parecia que ia saltar do peito.

A medida que avançava a água subia, o frio percorria o resto do meu corpo, custava de tal forma que não sentia de todo os meus músculos, quase como se fosse um anestésico... Assim que submergi na água, a cabeça parecia que iria estourar com o gelo da água. Mas foi apenas por segundos, o meu corpo ajudou-se temperatura da agua, mas ainda sentia o movimento a querer me puxar para trás a medida que avançava.

Assim que abri os olhos debaixo de água fiquei surpreendida com o brilho, as partículas de areia que pareciam flutuar em espirais a medida que a água se movimentava, o resto que via a minha frente era um mar de pedras e rochas, quase como se fosse um cemitério vazio, não havia qualquer tipo de vegetação. Não havia peixes, não havia nada.

Alcancei a minha bolsa escondida na armadura de couro que usava, e peguei no dispositivo, um dispositivo de metal que coloquei na boca de modo que pudesse respirar. E avancei. Subi aquela plataforma de pedra e avancei, senti as pedras sobre os meus pés a medida que avançava mesmo estando com botas, mas continuei determinada.

Apesar do caminho ser complicado continuei até que tudo ao meu redor fosse pedra e nada mais, olhei para cima, conseguia ver ao longe o sol, acima da água, quanto tempo terei andado sobre água, pensei, sentindo as pernas pesadas e um senso de cansaço que me queria fazer desistir. Não devia de estar longe, pensei, continuando, respirando calmamente através daquele dispositivo. Andar sobre água era complicado, o peso desta fazia com que os movimentos fosse mais pesados.

Demorou ainda assim  uns bons minutos a chegar perto daquilo que procurava, o mar de pedras parecia não ter fim até chegar a fenda que pretendia entrar, cai sobre ela, deslizando sobre as pedras entrando na escuridão. 

Não foi a escuridão que me deixou com medo, foi que a medida que caia, não podia de deixar de ficar preocupada, estaria enganada e ficaria entalada numa fenda de rochas ou estaria no local certo. Por muito que tentasse ver o que estaria a acontecer, eu so conseguia sentir as pedras a roçarem no meu corpo, a temperatura da agua a descer ainda mais e o medo a tomar conta de mim. 

E de repente parou.... 

Respirei fundo... 

Senti-me paralisada no ar, não estava apoiada a nada mas sentia-me a flutuar... no nada... estava a cair, devagar e de forma quase pecaminosa para entender o que estava a acontecer... mas estava a cair... na escuridão. 

Olhei para baixo e podia ver algo, um ponto de luz ao longe como se fosse apenas uma chama de uma vela... havia algo lá... desesperada quase, sabendo que não deveria arriscar tanto, nadei, para baixo.... Sabia que estava a quilómetros do local que pretendia ir mas não podia esperar mais... 

Peixes, criaturas que até agora estavam desaparecidas, nadaram ao meu lado como se estivessem a tomar conta de mim, cor começou a formar-se sobre os meus olhos aquele ponto pequeno de luz começou a aumentar, não era apenas um ponto de luz era muitos mais que isso. Diante mim, castelos emergiam altos, assim que coloquei os pés sobre o caminho de pedra e observava os portões dourados, sussurrei. 

-Estou em casa... 


4 comentários:

  1. Uau, muito bom! Gostei! Acho que se escrevessem um livro e começasse assim eu leria até ao final! Quem sabe seja uma sugestão! Muito bem Patrícia <3

    www.thelittleangieblog.blogspot.com

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    1. eheheh ainda bem que gostaste, eu acho que vou continuar com esta historia :D

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  2. Sabes do que me custou mais ao ler esta história?? Acabou muito depressa xDD
    Continua. Boa sorte :)

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    1. em breve haverá mais partes deste conto, prometo.... eheheheh obrigada

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