quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Prisioneira, Cinthya - One Day 4#

O livro que Isabela me oferecera estava a me distrair tanto que nem reparara que ainda estava de pijama, coloquei o livro a parte e vesti-me, um vestido amarelo que apertava na cintura e descalça, foi até a cintura.
Não era pelos livros que eu estava lá, era apenas a vista que tinha, para a mansão, podia ver o portão e a casa que era enorme e me provocava uma memoria de mel e limão, não sabia porque. Talvez quando era pequena a minha mãe me dera xarope e eu estava atenta a mansão... Talvez não... Não sabia.
Olhei para a mansão, tinha que ir lá, um dia, explorar está curiosidade. Mas o que podia fazer? Os meus pais não me deixavam sair de casa, tinha aulas em casa e não conhecia ninguém. Além da minha mão e do meu pai só a Isabela.
Não fazia ideia de como era um rapaz e como eram as ruas da cidade. Mas eu não podia reclamar ou revoltar-me com eles. Eles estavam a proteger-me. Mas o mesmo tempo sentia-me presa, sentia que tudo passava e eu perdia tudo.
Voltei ao quarto. Ele tinha de tudo, uma cama enorme branca com lençóis de seda, estantes nas paredes cheios de livros académicos onde por trás tinha os meus pequenos tesouros: filmes, livros e DS de musicas. E ainda os telemóveis para o caso de ser apanhada com um deles. Tinha ainda a secretaria e o armário de roupa, tinha o computador sem internet e não havia televisão. Os meus pais não aprovavam as Tvs na minha educação.
Mas pensar sobre o meu tempo fechada estava a a me irritar e eu não queria. Devia muito ao meu pai e a minha mãe, pelo menos eles dizem isso sempre que perguntava-lhes se podia sair. Mas como poderia saber se eu nunca o enfrentei.
Respirei fundo e tirei o telemóvel da estante vendo que tinha uma mensagem de Isabela.
"Hoje vou chegar tarde, vou ter que substituir a minha tia no trabalho, ou seja, eu vou entrar na mansão."
Eu olhei para o ecrã um pouco espantada.
"Porque é que tens que substituir a tua mãe? Ela está bem? Passou-se alguma coisa?"
Esperei algum tempo enquanto pegava no livro e ia para o alpendre e sentei-me no sofá. Olhei para a porta da asa de Isabela que estava fechada, eu podia saltar e ver como ela estava... mas eu não podia simplesmente aparecer.
"Ela está doente, está com gripe, não pode falhar, eu vou substitui-la, ela precisa do dinheiro para as dividas."
Suspirei ao lembrar-me como a mãe dela perdeu a sua empresa e teve que começar a trabalhar para Jev Knight para conseguir o dinheiro para pagar as dividas e a escola de Isabela. Escrevi de volta para ela.
"E o Jev aprova a substituição? Afinal ele confia na tua mãe, ele confiara noutra pessoa? Mesmo sendo filha, acho que ele não vai aprovar"
Olhei para a mansão e vi os jardineiros a tratar do jardim. Numa das janelas do topo da casa podia ver algumas janelas abertas para arejar provavelmente. Quem me dera ter um telescópio, pensei mordendo o lábio. O telemóvel vibrou de novo.
"Eu não sei. Pedi a minha mãe para não lhe dizer, mas que avisa-se o William para não haver problemas"
Respondi-lhe.
"E o que ele disse a tua mãe?"
Eu voltei a ler um pouco e só passado uns dez minutos é que ela respondeu.
"Ele compreende e disse que não ia lhe contar mas que teria que ter cuidado, ou seja, estar longe dele, quando estivesse lá porque se não a minha mãe e ele, levam por tabela. Começo a achar que ele é um tirano, estou nervosa, não sei se consigo fazer isto. Will tem esperanças que eu não tenha que cruzar com ele, pediu-me para ligar-lhe quando for e para começar pelo salão, ele tem esperanças que até amanhã a minha mãe melhor e eu não tenha que trabalhar por ela. Mas sinceramente, não me admira que ele dei uma de Dracula e apareça de repente atrás de mim. Não estou a gostar disto mas eu tenho que fazer isto pela minha mãe."
Passei a mão pelo cabelo e olhei para a mansão. Apesar de gostar da ideia de ir a mansão, não queria estar no lugar dela.
"Sinceramente acho que vai correr mal. Mas vai mandando noticias Se o vires como vais reagir? O que vais fazer?"
Enquanto esperava que ela me respondesse calcei umas botas e desci para o jardim a procura da minha avó que normalmente aquela hora estaria a regar o jardim. Enquanto a procurava o telemóvel vibrou de novo.
"Sinceramente eu não sei. Se ele ver que eu estou no lugar na minha mãe, vai se passar de certeza, vai descarregar em mim ou na minha mãe. Mas se ele dizer alguma coisa eu vou-me chatear, não suporto arrogância e o Jev parece o tipo de pessoa que reclama por tudo e por nada, e é exigente. E se ele descarregar na minha mãe eu vou lá  e tiro-lhe satisfações. Deve de ser um mimado, não estou para aturar isto. Espero que a minha mãe melhore rápido."
Apercebi-me que ela estava mesmo assustada com o sucedido mas que não ia desistir pela mãe.
"Também eu, até lá vais ter que aguentar. Mudando de assunto, como foi o teste?"
Ao me aperceber que a minha avó não estava em lado nenhum entrei em casa e coloquei o telemóvel escondido na bota. Entrei na cozinha acolhedora e rústica e vi malas no chão e a minha avó apareceu.
- Ah Cinthya, faz me um favor diz a Alice que eu e os teus pais temos que viajar, mas voltaremos quarta, ok? - Perguntou-me olhando para mim.
Já estava tão habituada que encolhi os ombros.
- Não consegui encontrar a Alice - disse. - Por isso avisa.
Pegou nas minhas malas e deu-me um beijo rápido na face e saiu entrando num táxi. Fiquei a olhar pela janela por alguns minutos mas então passos vindos da cozinha me fizeram olhar para trás. Alice a governanta e empregada da minha casa apareceu com a mala na mão e com os olhos vermelhos.
- Ah menina Cinthya ainda bem que a encontro, preciso que avise os seus pais que vou ter que ir para Inglaterra agora mesmo.
- O que se passa Alice?
- Foi a minha mãe que morreu eu tenho que ir para Inglaterra, voltarei segunda.
- Estás bem? - Perguntei abraçando-a.
- Estou menina - disse afastando-se. - Apenas avise a patroa.
-Claro.
Um táxi apitou e ela saiu de casa e entrou. E eu então apercebi-me não tinha como avisar os meus pais.
A casa não tinha telefones, não tinha internet e nem sabia se tinha correio. Ou seja, até segunda eu estaria sozinha em casa.
E sem pensar duas vezes comecei aos saltos no meio do Hall. Parei e tirei o telemóvel e tinha uma mensagem.
"Correu bem. E tu como estão as coisas?"
"Os meus pais vão viajar com a minha avó. A Alice, foi para a Inglaterra para um funeral. Até segunda vou estar sozinha em casa." Respondi com um enorme sorriso na cara.
Complicações, Isabela
Pressão, Sara 
Amor A Primeira Vista, Mary

6 comentários:

  1. Vou por um lembre-te para quando voltar me lembrar de te enviar o mail!
    É que quinze dias é difícil ahah

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  2. fantástico texto Patrícia, gostei imenso! fiquei com muita vontade de ler mais :)

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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