Prologo - O Pacto, Tempted

     Nota: este capitulo terá linguagem que pode ser considerada chocante

        Kyra

Observei os meus pais enquanto jantavam, eles eram perfeitos, ou pareciam... pelo menos! A minha mãe de cabelo loiro e olhos azuis como gelo, um sorriso gelado e tinha a face perfeitamente esticada (para a idade que tinha), estava com um vestido azul simples de manga curta, ela tinha o cabelo arranjado pelas mãos do seu cabeleireiro, ao qual ia todos os dias. O meu pai tinha cabelo preto a ficar nas raízes grisalho, bem penteado, com olhos azuis e um com cara seria ele usava um fato de executivo. No entanto, apesar de parecerem perfeitos, eram tão vazios que nem uns poços. 
Eu, apesar de ser considerada perfeita, não era, era a menina da américa, a mais jovem modelo para varias marcas conhecidas, mas era tudo mentira. Eu não tinha cabelo loiro e olhos azuis. Eu odiava roupa de marca e odiava ser a menina da américa. Eu não era perfeita, estava a três anos numa profunda depressão, onde a única coisa que me ajudava era os medicamentos, aos quais estava a tornar-me viciada. Mas amanhã estaria livre, tudo iria parar, iria fazer 18 anos e finalmente sairia da trela da minha mãe e seria livre. 
Respirei fundo enquanto me servia um pouco da minha água tónica. Estávamos neste momento num restaurante famoso na minha cidade natal em Phoenix. Amanhã seria o meu aniversário, na mansão da família, onde terias os Blakc Hearts a atuar. Eu odiava as festas de aniversário que me davam, mas teria que superar até ao final e depois iria a minha vida. 
- Hum-hum - tossiu a minha mãe o que me fez sentar direita, eu conhecia aquela tosse, que era a tosse que ela usava quando ia falar da minha profissão. - Querida, eu queria-te dizer uma coisa.
- O que se passa? - Perguntei desconfiada.
- Bem, a Vitoria Secrets está interessada em contratar-te - disse sorrindo. - Eu e o teu ai achamos que eves de assinar o contrato. 
Eu agarrei os talheres rígida, olhando para ela. 
- Eu pensei que tínhamos combinado que eu ia para a universidade e que íamos parar com os contratos. 
- Oh, isso é o que pensas agora – disse o meu pai. –É apenas o teu cansaço, por isso eu e a tua mãe compramos uma casa de Verão em Miami e vais passar lá o resto do Verão. Assim que chegar Setembro, vais para Vitoria Secrets.
- Eu não vou assinar esse contrato – disse irritada. 
O meu pai limpou a boca ao guardanapo e olhou para mim sem sorrir, apenas serio o suficiente para que eu apercebesse que ele estava a falar a serio. 
- Não precisas – disse e o meu coração apertou. – Já está assinado, foste aprovada. São cinco anos, sem maneira de quebrar o contrato. 
- Vocês não tinham o direito! – Exclamei irritada. – Eu sou maior  de idade.
- Tecnicamente, tu ainda és menor – disse a minha mãe sorrindo. 
Toda a alegria que sentia, toda a esperança que sentia por finalmente ficar livre daquela vida evaporou-se e eu senti-me afundar. Peguei no meu guardanapo e coloquei-o na mesa levantando-me parecendo mais calma do que estava, peguei na minha clutch e olhei para os dois. 
- Odeio-vos!
E sem esperar que me dissessem algo atravessei o restaurante, atraindo o olhar de varias pessoas que me reconheceram. Mas assim que sai do restaurante vários Flashes me cegaram. Era noite, mas mesmo assim o restaurante era famoso, era habitual os paparazzi já saberem onde estava e estavam cerca de 30 a cercar-me.
- Kyra, como te sentes agora que estás perto dos teus 18 anos? – Perguntou uma rapariga que colocou o gravador na minha frente.
- É esperada que está festa seja a festa do ano? – Perguntou o rapaz na minha esquerda que estendia o telemóvel para gravar.
- É verdade que assinou um contrato com a Vitoria Secrets? – Perguntou uma rapariga a minha direita. 
Eu estremeci, para mim eles eram apenas figuras sem rosto prontos para comer e vomitar tudo fora tudo o que sabem. Era horrível, pensei enquanto me tiravam fotos, respirei fundo e sorri para as camaras. 
- Na verdade, eu não faço ideia dos preparativos para a festa, são os meus pais que estão a tratar disso e em relação ao contrato, não posso falar disso. 
Acenei e desviei-me rapidamente deles, entrando num táxi pedindo para ir para a praia mais próxima, o motorista quando reparou quem era sorriu-me calorosamente. Ele guiou rápido o suficiente para em 5 minutos estar na praia, paguei a corrida com uma gorjeta alta antes de sair do carro. O táxi afastou-se e eu olhei para a praia em baixo. A lua dava luz suficiente para ver a praia e as ondas a baterem na areia.
Desci e sentei-me nas dunas, agarrei os meus joelhos sentindo um enorme vazio que me quebrava, eu estava a tentar-me manter inteira mas estava a ser tão difícil, que só me apetecia chorar. Abri a clotch e tirei os meus comprimidos, eu podia tomar e me sentir bem, mas ia voltar ao que estava agora, ia voltar a sentir-me vazia e podia-me dar em louca por me reprimir e não explodir. Eu nunca iria sair daquelas amarras, eu nunca iria-me livrar desta vida, eu nunca teria descanso, pensei. E louca como estava só via uma maneira de me livrar desta vida, e ela estava a minha frente. Coloquei a Clotch no chão e olhei para as ondas que estavam fortes…
Eu levantei-me e comecei a andar em direção as ondas, assim que cheguei a linha de água tirei os saltos. 

 

        Keith

Eu detestava este tipo de negócios, ter que aturar meninas que se fingiam ser perfeitas, era horrível. Primeiro porque era uma condição deles,  ter que andar de fato e gravata enquanto se corre num palco a cantar, era desgastante e segundo porque elas queriam se meter connosco na cama e só mostrava o quão (im)perfeitas eram. 
Não é que não gostasse de ir para a cama com uma rapariga, mas ultimamente estava farto desse lado do Rock. Os meus irmãos eram o oposto, fazia parte de quem eramos, infelizmente, o nosso passado não era o melhor e  tínhamos diferentes maneiras de esquecer, eramos uns torturados. E apesar de não sermos irmãos de sangue cuidávamos uns dos outros. Os Black Hearts era uma banda de filhos da puta desgraçados, assombrados por um passado negro, pensei olhando para os meus irmãos enquanto cantava Black Hole. Quando acabei Mark virou-se para mim. 
- Acho que está bom, para amanhã. Estás bem, rapaz? – Perguntou-me colocando uma mão no meu ombro. 
Kevin e Sam olharam para mim, preocupados, mas eu desviei o olhar. Sim, estava farto dos concertos, queria sair. Eu sorri e olhei para os meus irmãos. 
- Eu só preciso de correr – disse tirando colocando uma camisola de alças que tinha em cima de uma cadeira e sai da casa de praia que tínhamos alugado. 
Eu entrei na praia e comecei a correr pela linha da água, enquanto sentia as ondas, não havia ninguém na praia, só no pontilhão. Corri até as minhas pernas doerem e ficar a suar como tudo, parei sentindo-me distraído pelas dores musculares. 
Respirei fundo sentindo um pouco de liberdade quando reparei num sapatos de salto alto azuis. Peguei neles preocupado, mas que raio? Vi uma carteira feminina azul na areia a metros da linha de água, e comecei a entrar em pânico. Olhei para o mar e vi uma rapariga parada no meio da água. Todo o meu sangue fugiu enquanto entrava na água no momento em que ela era levada por uma onda, mergulhei no momento em que ela era puxada para o mar e nadei até ao local onde ela desaparecera, olhei em volta e não vi nada, não havia sinais dela. Outra onda me puxou para a areia e mergulhei usando uma lanterna que tinha no bolso avistei-a a tentar regressar a superfície mas as ondas a puxavam e a faziam girar, ela não sabia nadar apercebi-me mergulhando mais. Investindo com força agarrei-a pela cintura no momento em que ela perdeu a consciência. E antes que outra onda nos varresse puxei-a para a superfície. Coloquei-a de barriga para cima e de costas contra o meu peito e com a ajuda das ondas nadei de costas para a areia. 
Exausto puxei-a para a areia seca e bati nas costas dela, vendo que ela ficara consciente e estava a tentar expulsar a água dos pulmões. Assim que expulsou caiu na areia respirando com dificuldade, parecendo exausta. 
Ela era loira com cabelos até meio das costas, que agora estavam molhados e pareciam escuros, num dia normal sabia que ela tinha cabelo ondulado e perfeitamente cuidado, sabia que tinha olhos azuis e com tristeza neles, tinha o rosto molhado, ela era pálida e normalmente usava blush e sombras, sem eles ficava linda. Ela tinha uns lábios carnudos como se tivesse sido picada por uma abelha, mas eram mesmo assim. Ela tinha um vestido bege, não usava joias provavelmente perdera-as no mar. Ela era Kyra Lind, uma modelo jovem que parecia demasiado perfeita, que lhe chamavam a menina da américa, por ganhar todos os concursos que entrava e ser a cara de várias marcas. Mas eu não via uma menina, eu via uma mulher de 17 anos, quase nos 18 anos, era para ela que irmos atuar. Agora ela não parecia perfeita, parecia derrotada. Ela entrara no mar para se matar! Uma raiva me percorreu ao ver que algo perfeito morrer. Por muito que ela parecesse perfeita, ninguém merecia morrer, por muito que a vida fosse superficial, ninguém merecia morrer.
- Estás louca? – Perguntei irritado. – Estás assim tão farta do teu mundo superficial para te matares?
Ela deu meio riso que me fez estremecer ao ver que ela parecia sombria. 
- Oh e o meu cavaleiro com armadura brilhante é um parvo – sussurrou com a voz rouca e arranhada. – Sabes lá do que eu estou farta. 
- Eu sei que ninguém merece ir por esse caminho! – Exclamei olhando para ele irritada vendo que ela estava a chorar. – Vai para um centro de reabilitação, se estás assim tão mal, sai!
- Eles não vão-me deixar ir! – Gritou e reparei que perto de nós estavam pessoas do pontilhão a se aproximar. 
- Arranja maneira, desaparece do mapa! – Exclamei vendo varias pessoas a tirar fotos. – Há sempre maneira, arranja essa alternativa, Kyra!
- Algo me diz que não estás só a falar de mim – murmurou olhando-me de canto no momento em que se começou a ouvir a sirene da ambulância. – Talvez não seja a única a desistir… talvez devas de ouvir aquilo que dizes. 
- Fazemos assim, então ambos desistimos das nossas decisões, e faremos de tudo para voltar a viver – disse olhando para ela. – Que achas?
- Qual era a tua decisão Keith? – Perguntou cansada e exausta quase sem abrir os olhos. 
- Deixar a banda…
- Não faças isso e eu não me atiro da próxima falésia, vou desaparecer, mas se desistires eu vou saber – murmurou sorrindo e ofereceu a minha mão. 
Eu apertei, engolindo em seco… ela olhou para mim e vi que ela estava com os olhos azuis sem brilho, ela piscou e abraçou-me, eu segurei-a reparando que ela era demasiado magra. Nesse momento uma ambulância parou ao nosso lado e vários paramédicos saíram da ambulância, pegando em Kyra, que olhou-me uma última vez com meio sorriso, eles falaram comigo antes de entrarem na ambulância e fecharem as portas para levar Kyra para o hospital. 
Sempre vira aquela rapariga como uma superficial rapariga mas quando a segurei percebi que estava apenas desesperada, como se não vivesse. E eu tinha pena dela e queria que ela ficasse bem, iria honrar esse pacto, se ela honrasse o seu. Afinal não era só eu que tinha uma vida fudida.

 

        Kyra 

Estava tão cansada, pensei enquanto me levavam para um quarto de hospital, eles tiraram-me sangue e me perguntaram um milhão de perguntas, quando eu disse que tomava antidepressivos todos no plantão olharam uns para os outros. E em cerca de meia hora uma enfermeira veio ao meu quarto. Ela verificou os meus testes e então olhou-me preocupada. 
-Acho que está na altura de chamar os sus pais para leva-la para casa.
Eu engoli em seco sorrindo forçosamente enquanto ela saia. Eu peguei na clotch que tinham trazido comigo e tirei o telemóvel, 13 chamadas não atendidas da minha mãe, eu não queria voltar e enfrentar aquela vida. Afinal eu estava tão louca ao ponto de querer morrer para escapar desta vida e dos meus pais. Mas antes que eu percebesse que existiam alternativas eu mergulhei mas então Keith Mash me salvou antes que eu fosse desta para melhor e me dera um Pacto. Eu olhei para o relógio era meia noite, estava livre para o meu plano, tinha-me aparecido de repente para a alternativa da praia. Liguei a Shannon a minha única e verdadeira amiga fora do meu mundo “perfeita”. Ela atendeu num instante. 
- Ei Kyra! – Exclamou e eu conseguia ouvir musica House no fundo, ela estava num clube a desanuviar. – O que se passa? Recebi uma mensagem a dizer que tiveste um encontro com Keith Mash e correu mal, algo sobre vocês estarem na praia e serem levados pelo mar. Estou farta de rumores, está gente não tem anda para fazer?
- Na verdade, foi eu, Shannon, estava farta de ter que fingir ser uma pessoa que não sou, de ter que tomar medicamentos para estar bem.
- Por favor, Kyra diz-me que não te tentaste matar! – Exclamou Shannon, ouvi um murmúrio e de seguida ela começou a gritar. – Ei larga seu filho da mãe, se não vais ter que segurar as joias da família porque te vou arranca-las. 
De repente o som cessou e foi substituído por carros. 
- Está tudo bem, Shannon, Keith salvou-me.
- Oh meus deuses, Kyra, porquê? Eu pensei que assim que fizesses 18 anos, irias ser livre.
- Eles assinaram um contrato com a VS, estou presa por mais 5 anos – disse passando pelo cabelo molhado. 
- Os teus pais são uns bruxos – disse ela irritada ouvindo ela fechar a porta de um carro. – Eu estou num táxi, onde estás.
- No hospital, podes-me vir buscar? Eu preciso de ir a um centro de reabilitação, já. É a única maneira de sair. 
- Se entrares vão começar a dizer que tu andas nas drogas ou pior, Kyra – disse Shannon, e depois ouvir a dizer onde queria ir ao motorista. 
- Exacto e Kyra vai desapareceu, acredita, isto vai-me libertar – disse observando as paredes do quarto branco. 
- O que raio se passou contigo? – Perguntou admirada. 
- O Keith ajudou, Shannon. 
- Graças a deus! Já cheguei, eu estou a tua espera na porta, eu vou contactar uma clinica de reabilitação. 
Demorou 20 minutos para sair dali o mais rápido possível o que criou um enorme problema com as enfermeiras, que queriam que eu ficasse mais tempo, mas eu dei-me alta a mim própria e sai do hospital. Antes de passar as portas reparei que estavam demasiados paparazzi a espera, mas Shannon agarrou-me enquanto eramos apanhadas por todo o lado por perguntas e maquinas fotográficas. Entramos o mais rápido possível no táxi pedindo que ele fosse rapidamente para a clinica, Shannon abraçou-me e olhou-me. 
- Tens certeza?
- Absoluta! – Respondi dando-lhe um pequeno sorriso. – Vais-me visitar?
- Duvidas? Os teus pais vão se passar quando souberem. Eu vou arranjar maneira de entrar na tua casa e buscar a tua roupa. 
Entreguei-lhe o meu cartão de crédito. 
- Agora que tenho 18 anos, as contas são apenas minhas e os meus pais não vão poder mexer nelas, mas preciso que fiques com ele e controles as minhas contas. Eu vou pensar numa maneira de fazer Kyra desaparecer e compra-me roupa nova, não quero nada dessa vida. 
Ela acenou-me abraçou-me antes de eu sair do táxi, a frente do centro estava um senhor com uma bata branca. Assim que eu cheguei a sua beira, ele apertou a minha mão.
- Bem-vinda, menina Lind. Espero que sinta-se em casa aqui. 
Eu acenei mas eu realmente duvidava, mas era a minha única saída, pensei enquanto ele me levava para dentro. 
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