sábado, 29 de março de 2014

Pressão, Sara - One Day

2º Parte
Havia um cavalo no meio da praia, era branco com uma sela negra, ele estava a cavalgar até mim e parou a minha frente com olhos castanhos enormes fixados em mim como se quisessem me dizer algo. Sorri e passei a mão pelo seu focinho até as rédeas pus um pé num dos apoios e pondo uma mão na sela puxei-me para cima passando uma perna pela rédea até colocar o pé no outro apoio. Assim que montei o cavalo começou a cavalgar como se tivesse algo a me mostrar.
O mar continuava a avançar em ondas tranquilas e passado um pouco vira uma figura caída na areia, vestida de negro. Senti um aperto no coração que me disse que ele era importante para mim, apertei as rédeas e forcei o cavalo a andar mais depressa sem medo, mas um som irritante acordou-me.
Levantei-me e desliguei e espreguiçando-me, olhei para o meu quarto e com uma cama de solteira, uma mesa de cabeceira, uma prateleira com poucos livros e um retrato da minha mãe, um pequeno armário e uma comoda, era um quarto pequeno mas para mim chegava. Levantei-me e vesti umas calças de ganga e uma t-shirt preta. Estava a preparar a mochila para a escola quando o pequeno intercomunicador apitou e saiu de lá uma voz irritada e mal-humorada. 
- Sara, faz o pequeno almoço e serve-o em cinco minutos - disse a voz da minha madrasta. Tradução: vamos demorar meia hora a nós vestir, mas queremos tudo preparado antes de descermos do pedestal. 
 Revirei os olhos e carreguei no botão para comunicar.
- É para já - disse mais para garantir que tinha entendido a mensagem.
Sai do quarto e foi para a cozinha que ficava a beira da cozinha e quase profissional. Liguei o fogão para aquecer uma cafeteira de leite e de seguida comecei a fazer varias torradas ao mesmo tempo que preparava uma jarra de sumo e ao mesmo tempo colocava a mesa na sala de jantar que era grande e bastante elegante com uma mesa enorme de cadeiras que só de olhar pareciam que iam quebrar. 
Estava a ajeitar o avental quando a porta das traseiras abriram e o meu irmão de 20 anos, Jules, entrou com um sorriso enorme na cara e com uma rosa na mão. O meu irmão tinha cabelo preto, olhos castanhos e profundos, queixo forte com barba, alto com uma casaca de cabedal que não escondia o seu porte musculado. 
- Tu não devias de estar aqui - disse-lhe dando meio abraço para me virar e colocar mais torradas e verificar o leite. 
- E perder a oportunidade de ver a minha linda irmã, nem pensar - disse pegando num copo servindo-se de sumo. - As bruxas já acordaram?
- Já, mas estão a arranjar-se - disse pondo o leite numa jarra e as torradas numa travessa.
Ele riu-se e pegou na manteiga e na geleia e colocou-a no tabuleiro. 
- Não vejo a hora de te tirar daqui Sara - disse pegando no tabuleiro seguindo-me para a sala de estar.
-Eu hei-de sair daqui pelo meu próprio pé - disse-lhe colocando tudo na mesa. - Eu não quero que faças nada. 
 Jules tinha saído desta casa a 2 anos, conseguiu uma casa e um emprego e estava bem, mas se eu fosse com ele não teríamos como nós sustentar. 
 - Eu pelo menos vou tentar - disse-me irritada. 
Voltei para a cozinha e peguei nos guardanapos. 
- Não tentes, agora vai antes que elas venham para o pequeno-almoço - disse olhando para ele irritada. 
Ele sorriu e deu-me um beijo na testa antes de sair das traseiras. Eu suspirei olhando para a porta, as vezes, queria ter a coragem dele e sair de casa. Tinha sido assim desde os meus 10 anos porque eu era uma prisioneira. 
Desde que o meu pai perdera a minha mãe, ele ficara preocupado comigo e com o meu irmão, achando que precisávamos de uma figura feminina na casa por isso voltou a casara com uma senhora viuvá com duas filhas. Desde o primeiro dia que puseram os pés dentro da minha casa colocaram-me sempre de lado na família assim como o Jules e quando o meu pai morreu quando tinha dez anos, elas tomaram conta da casa e de nós, tornando-nos os "empregados" em vez de enteados, fazendo parecer a quem visitasse que apenas eram elas que existiam na casa. O meu irmão aos 17 saiu de casa e fugiu e conseguiu arranjar maneira de se sustentar.
Tinha raiva do meu pai por nos ter deixado com ela mas por outro lado quando sentia a raiva a tomar conta de mim eu retraia-me sentindo uma culpa a passar por mim. 
Peguei noutra cafeteira e fiz o café e enquanto esperava que o café subisse estudei a matéria para gestão, tinha um teste de manhã. E só de me lembrar que tinha estudado pouco na noite anterior porque as meninas queriam uns vestidos prontos para hoje, fazia-me querer espancar as minhas irmãs.
Um retumbar nas escadas fez-me fechar os cadernos e pegar na cafeteira para coloca-la na sala de estar sabendo que elas estavam a descer as escadas. 
A primeira a entrar foi a minha madrasta, a Katherine Melk (nome de solteira dela), loira falsa, de olhos verdes e frios com demasiada sombra e base que parecia que ela metera uma mascara para esconder o horrível aspecto (ela bem precisava de esconder!). Tinha um vestido preto e saltos altos em agulha. 
 - Bom dia! - Cumprimentou-me afectadamente com um sorriso falso. 
Ela falava e me sorria como se me desse tudo e que eu não podia ter qualquer queixa. Claro que não era verdade. Ela sentou-se na cabeceira e serviu-se com café e leite escolhendo uma torrada. 
- Hoje quando chegares da escola quero que me refaças a cama, trates do chão, laves a roupa suja e arranjes o meu vestido vermelho com os folhos que trouxemos de Paris, preciso dele para domingo. Depois regra o jardim.
Quase tive a menção de revirar os olhos mas contive-me acenando ao mesmo tempo que as minhas meias irmãs entravam na sala. Anastacia era ruiva com sardas no rosto, pele morena e coberto de manchas que estava cobertos de base alaranjada. Ela tinha um vestido azul e justo que não escondia os pneus. 
E a outra, a Matilde era loira de olhos azuis, mas era apenas uma ilusão, ela era ruiva natural e de olhos castanhos, tinha um vestido que era curto demais para ser adequado para ser levado para um dia de escola.
- Bom dia, Sara, estudaste para gestão? - Perguntou a Matilde com um sorriso malicioso no rosto. 
- Estudei o suficiente - respondi sorrindo não dando o troco. 
- Fantástico, podes, depois de chegares da escola podes arrumar o meu quarto e arranjar espaço no meu armário. Vou as compras hoje - disse-me sorrindo levemente. 
- Faz o mesmo por mim - disse-me a Anastacia sorrindo para mim. 
- Claro, se não se importam, vou fazer as camas. 
- Claro - disse a minha madrasta com um gesto de indiferença- 
Virei-me e entrei na cozinha, peguei numa torrada e num copo de leite achocolatado, comi num instante e subi para os quartos, mesmo tendo que mudar as camas mais tarde, teria que por os quartos apresentáveis. 
Segui o corredor bem iluminado e bem decorado até ao quarto da minha madrasta que era quase um quarto de rainha, com uma cama dossel de 4 colunas e seda por todo o lado com mobília cara e brilhante. Fiz a cama e foi para o quarto da Anastacia. 
O quarto era cheio de brilhantes, ela via-se como princesa, com roupas espalhadas que ela experimentara antes de se decidir na noite anterior, uma cama de casal enorme com os lençóis e as dezenas de almofadas reviradas. Fiz a cama tentando ignorar o cheiro dos produtos que ela usava. 
Foi para o quarto de Matilde e preparei-me mentalmente para não perder a paciência. O quarto dela era enorme decorada a vermelho e preto com dezenas de fotos dela e do namorado Charles, era insuportável ver, principalmente porque estava apaixonada por ele e ver ela com ele, a beijar, abraçados ou até mesmo em poses que me enojava e me fazia querer incendiar as imagens, era um antro a "paixão" deles. Mas a única coisa que fiz foi fazer a cama e ir para baixo para pegar nas minhas coisas e ir ter com elas a limosine. 
Ao entrar reparei que Matilde já estava a mandar sms as amigas e Anastacia estava a olhar-se no espelho, ambos sentados no banco.  Agachada sente-me no banco a frente delas e virei-me para Joseph que era o nosso motorista. 
- Bom dia, podes ir. Tudo bem contigo? - Perguntei-lhe sorrindo. 
- Sim, Sara. E pelos vistos ainda não as envenenaste-as - disse enquanto conduzia.
- Tu sabes que quero mas não me convém, imagina que elas voltam a vida? - Perguntei sorrindo, vendo o seu rosto marcado de rugas pelo espelho. 
- Pois, nunca se sabe, é verdade - disse rindo levemente. - Como estás? Chatearam-te muito está manha?
- Oh, já sabes o normal - respondi. - Vou ter teste hoje de manhã.
- Conseguiste estudar? - Perguntou-me preocupado.
- Sim, espero que seja suficiente . respondi encolhendo os ombros. 
Ele abanou a cabeça descontente pois sabia que eu não estudara como queria por causa delas.
Quando chegamos a escola ele estacionou e nós saímos para o passeio a frente da escola onde todos os amiguinhos delas esperavam, começaram logo aos abraços e aos guinchos e eu fiquei de parte a olhar para aquilo enjoada. 
Num momento estava a ver aquela loucura no outro estava no chão, olhei para cima e vi quem me empurrara foi um rapaz loiro de olhos verdes, alto e corpulento com um estilo de menino rico. Ele avançou e abraçou a Matilde, beijando-a. Era Charles, o rapaz dos meus sonhos, ele afastou-se e olhou para mim rindo com as amigas dela. 
- Oh desculpa, não te vi!
As vezes sentia como se fosse uma gata borralheira.

Partes:
1º Parte - Complicações, Isabela - Aqui
3ª Parte - Amor a Primeira Vista, Mary - Next depois de Marcas do Passado em Viagem Inesquecível
4º Parte - Prisioneira, Cinthya  - Depois de A Luta em Viagem Inesquecível
Continua...
Love Peace and Write 
Kisses Lovewriters

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