quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Inevitável, Vizinho Perfeito

3º Parte 
Não esperava sonhar com ele, muito menos com ele a me beijar no meio de um concerto dos Lords, fora tão real mas então os gritos começaram e a ultima coisa que me lembro foi Ash dar-me uma estalada na cara me fazendo acordar. Eu respirei fundo confusa, sentindo o meu coração a bater rápido. Passei a mão pela testa sentindo que estava a suar, respirando fundo. Oh deus! Porque é que eu tinha que sonhar com ele? Porque ele? 
Desde que chegara ontem do café, ignorara o William que se apressou a falar comigo mas eu fechei as cortinas enquanto o meu telemóvel tocava sempre que ele me mandava sms ou me telefonava, estava a ser demais, eu ter que ignorar o telemóvel. Eu não conseguia parar de pensar no que Ash dissera, por isso fiz o máximo para ignora-lo e manter as cortinas fechadas. 
Mas assim que me sentei vi que eram 6 da manha, fiquei confusa, nunca acordara assim tão cedo. De repente ouvi gritos e sobressaltei-me saindo da cama confusa, fiquei parada a olhar para as cortinas fechadas, tentando ouvir. De seguida ouvi um estrondo e alguém a gritar, peguei no comando e abri as cortinas e acendi as luzes, ainda estava luz lá fora, e vi que algo estava errado, olhei para baixo e vi que a vedação da minha casa que separava a minha casa da do William estava caída. Não compreendi o que se estava a passar até olhar para o jardim onde vi o meu pai a discutir com uma senhora pequena de cabelos ruivos, parecia uma discussão acesa, e reconheci-a sabendo que ela era a mãe de William, ambos estavam a discutir aos berros e eu não conseguia ouvir para saber o que estava a se passar. Olhei confusa para o quarto do William e vi que ele estava a observar aquilo confuso, mesmo a minha frente, ele olhou para mim preocupado mas encolheu os ombros, como se tivesse a responder a pergunta no meu olhar de que não sabia o que estava a acontecer. 
Ouvi uma porta a se abrir e vi um homem, que devia de ser o pai de William ir ter com o meu pai discutindo parecendo furioso afastando o da mãe de William. Vendo que o meu pai estava a ficar furioso peguei no robe que estava no meu sofá e sai do quarto descendo para o jardim das traseiras, vendo que eles estavam a quase a se agredirem enquanto a mãe de William tentava os afastar, eu só tive tempo de reparar que estava um ramo perto deles caído sobre a cerca caída, antes de correr para segurar o punho do meu pai que estava prestes a bater nele. 
- Eu avisei para cortarem o ramo! - Exclamou olhando para a mãe de William com ódio. - Larga-me Eve.
- Parem, por favor! - Exclamei admirada.
Admirada olhei para ela afastando-me vendo que o meu pai estava quieto. Ela era ruiva com olhos azuis e alta muito bonita, fiquei surpreendida ao ver que olhava para o meu pai com ódio. Wow, eles nem se conheciam porque raio estavam a olhar-se assim?
- Olha lá e eu já disse que a culpa não é dela por você ter a cerca mesmo em baixo da árvore! - Disse irritado o pai de William, que era um homem magro e parecia estar na meia idade. - E eu também não tenho culpa de você não fazer as coisas direitas, afinal até tem que esconder a sua própria filha! 
Isso foi a gota de água, o meu pai deu-lhe um murro que me fez saltar e tentar separa-los. Mas esse foi o meu erro, sem saber de onde veio levei com um murro na cara do pai de William, ouvi-os a prender a respiração enquanto alguém me agarrava abraçando-me puxando-me para longe deles, sentindo me tonta e cheia de dor mas pelo que senti sabia que era William, ele puxou-me para ele segurando-me perto dele. Eu olhei para o meu pai e para o dele, enquanto sentia o maxilar dorido, eles estavam a ser separados pela mãe de William. William ao ver que eu estava bem o suficiente quieta, olhou-me dando um aviso para ficar e correu pegando no meu pai, que tentava chegar ao pai dele. 
- Nunca mais tocas nela! - Exclamou o meu pai parecendo furioso a tentar afastar o William que o segurou para que ele não o atacasse. Deus, ele tinha uma força impressionante, pensei vendo os músculos do William pela t-shirt. - Seu filho da mãe!
A mãe de William agarrou no pai dele e levou-o para dentro da casa, ela olhou para mim e deu-me um sorriso de desculpas e entrou na porta das traseiras sem olhar para trás com o pai de William a resmungar. Eu olhei para o meu pai que estava agora a falar com o William parecendo irritado e William parecia apenas tranquilo mas eu podia ver que ele estava tenso nos ombros. 
- Pai, vai para dentro, eu estou bem! - Exclamei e ele olhou para mim triste sem vida nos seus olhos e baixou os ombros e entrou na casa afastando-se de William que o observou a entrar na cozinha. 
Só quando a porta se fechou é que o William se virou para mim preocupado, ele caminhou até mim e pegou no meu rosto com cuidado para que não me magoasse no queixo. 
- O teu pai tem um gancho impressionante - murmurei custando-me falar um pouco. 
- Nunca te ensinaram para não te meteres numa luta? - Perguntou-me parecendo aborrecido. 
- Ei! O que querias que eu fizesse? - Perguntei irritada enquanto ele passava mão pelo meu rosto que estava a latejar. - Que eu visse o meu pai levar do teu pai?
Vi que o William estava tenso e assim que ele falou do seu pai ficou com o maxilar duro, vendo os seus olhos estavam duros sem expressão. 
- Aquele não é o meu pai - disse parecendo ainda mais aborrecido. - Aquele é o namorado da minha mãe! Namoram a um ano. 
Eu observei-o enquanto ele parecia demasiado concentrado no meu rosto passando a mão pelo meu rosto, eu podia ver que ele estava a se tentar controlar. Eu agarrei a sua mão vendo que ele estava a evitar olhar-me nos olhos.
- William, o que se passa? - Perguntei preocupada.
- Eu não acredito que aquele filho da puta te magoou- disse entre dentes chocando-me. 
Eu respirei fundo enquanto ele apertava a minha mão tentando se controlar, e deu-me um olhar preocupado e então puxou-me para ele abraçando-me apertado. Eu deixei-me ficar ainda a sentir um pouco o maxilar a latejar, e enquanto ele me abraçava eu relaxei sentindo o seu coração a bater rápido contra o meu peito, eu tremi quando ele passou a mão pelo meu pescoço e afastou o meu cabelo, passando os dedos por ele, com cuidado para não me puxar o cabelo. Ele suspirou e então colocou o seu rosto no meu pescoço, sussurrando algo que eu não consegui perceber. 
- Porque é que me ignoraste ontem? - Perguntou-me afastando-se olhando-me agora curioso. - Eu não parei de te ligar e mandar sms? Fiz algo que não devia?
Afastei-me dos seus braços e olhei para a minha casa e bufei passando a mão pelo meu cabelo. 
- Não, não fizeste nada - disse passando a mão pelo meu cabelo respirando fundo. 
- Espera ai, ignoraste por causa da Ash? - Perguntou-me rindo levemente. 
Eu corei e bufei o que fez com que ele risse as gargalhadas. 
- Não, não foi, eu apenas estava cansada - disse e olhei para ele irritada. 
Ele parou de rir e engoliu em seco parecendo agora um pouco com medo, respirando fundo, eu sorri levemente mas gemi de dor. Ele passou de novo a mão pela minha cara e então pressionou apenas um pouco, que me fez doer um pouco. 
- Vais ficar com o rosto um pouco marcado, Eve, mas vais ficar bem. - Disse aproximando-se para mim. 
- William... - sussurrei recuando um passo - é melhor afastares-te de mim...
- O quê? - Perguntou espantado. 
- Eve, casa, já! - Exclamou o meu pai da casa. 
- Xau, William.
Antes que o William me alcançasse virei-me para casa vendo o meu pai a olhar desconfiado para nós os dois. Eu acenei para que ele não se preocupasse e ele entrou na cozinha. William  agarrou a minha mão e puxou-me para ele. 
- Eve, porque é que estás a pedir isso? - Perguntou-me preocupado. 
- Porque achas, Liam? - Perguntei irritada. - A tua namorada fez parecer bem claro o que acontecera se eu continuasse a falar contigo. 
Arranquei a minha mão da sua mão e afastei-me entrando em casa, o meu pai estava a minha espera, ele deu-me um saco com gelo e olhou-me parecendo culpado.
- Porque é que te meteste? - Perguntou-me parecendo com remorsos.
- Ia deixar que ela loucura continuasse? Estás louco? - Perguntei-lhe irritado. - O que raio foi aquilo, pai? Porque é que olhaste para a mãe do William assim? Porque é que a odeias?
O meu pai ficou estático a olhar para mim, eu nunca lhe gritei nem muito menos fiz birra mas o que se passara lá fora, fora completamente louco! Ele desviou o olhar e parecia ficar pálido e no olhar vi o seu olhar ficar repleto de dor.
- Pai? O que se passou? - Perguntei espantada ao ver que ele estava assim.
Coloquei a mão no seu ombro para ver se ele saia daquele transe mas a única coisa que fez foi tossir e sorrir como se fosse um robô,como se tivesse no modo automático.
- Põe o gelo na cara, eu vou ter que ir trabalhar - disse e antes de mesmo olhar-me nos olhos virou-se saindo da cozinha rapidamente indo para o quarto fechando a porta com força.
Eu fiquei parada a olhar para a porta durante algum tempo. O que raio estava a se passar com o meu pai? Porque é que ele reagira assim? Coloquei o gelo no maxilar e foi para cima para o meu quarto, assim que entrei William estava parado na janela e com as mãos nos bolsos da calça e olhava-me ansioso. Mas o que me chamou a atenção, não foi ele foi o que estava na janela, ele tinha colocado em papeis letras, a dizer desculpa. Eu não evitei sorrir, e ri-me de seguida ao vê-lo sorrir aliviado.
Entrei na casa de banho de seguida quando ele se virou para secretaria, eu olhei-me no espelho tinha o maxilar um pouco inchado. Mas não tinha nódoa negra. Graças a deus! Mas não pude deixar de pensar no que o homem me fez, e como William me tirara logo dali.
Foi ao meu armário e tirei um fato de treino, olhei para o quarto de William e vi que ele não estava no quarto. Algo me dizia que ele estava a falar com a mãe sobre o que se passara. Eu suspirei e entrei na casa de banho, e vesti-me rapidamente. Assim que apertei as sapatilhas sai da casa de banho, William não estava lá mas também isso era bom sinal. Pôs os auriculares e desci bebi um pouco de água e indo para a cozinha, reparei que não havia sinais do meu pai em lado nenhum, peguei na minha mala de cintura e coloquei uma garrafa de água antes de sair de casa, a primeira coisa que reparei que o carro do meu pai já não estava na entrada da casa e que estava a começar a ficar o dia alto. Eu aqueci rapidamente e comecei a correr indo em direcção ao parque, estranhei ao inicio não haver ninguém praticamente  e fiquei com medo que algum maluco estivesse a dar uma volta, mas eu também sabia me defender... ou pelo menos correr.
Quando cheguei o parque ouvi que alguém estava a chamar-me, parei e olhei para trás vendo o William a correr na minha direcção.
- William o que raio estás aqui a fazer?
- Bem, já que não falas comigo, eu vou correr contigo - disse sorrindo levemente.
Ele estava com uma camisola de alças azul e uns calções largos com umas sapatilhas brancas ele saltou praticamente até mim. Eu não consegui manter-me seria e sorri para ele quando ele parou a minha frente.
- Podes-me explicar o que Ash te disse? - Perguntou-me olhando-me. - Eu não sou mesmo o seu namorado, ela beijou-me sem eu mesmo esperar, eu nem pode desvia-la!
- A serio? - Perguntei desconfiada.
- Ela bem que tentou durante meses ter alguma coisa comigo, mas eu não quis nem quero, Eve! - Exclamou dando-me um aceno para corrermos.
Eu comecei a correr ao seu lado e ele ajustou-se ao meu ritmo.
- Porque não? - Perguntei olhando-o de canto. - Afinal, ela as vezes está na tua casa e bem ela parece bonita.
- E superficial e interesseira.Eu na verdade tenho o meu coração noutro lugar neste momento - disse desviando o olhar de mim corando.
- Pois, o futebol - Disse dando meio sorriso.
Ele não disse nada apenas olhou para mim. Eu corei. O que é que eu disse?
- Porque é que tens aulas em casa? - Perguntou-me olhando-me curioso parecendo querer desviar o assunto.
- Porque é não gostas do namorado da tua mãe? - Perguntei curiosa não querendo responder.
Ele abrandou e olhou para mim fazendo-me parar e olhar para ele.
- Porque o meu pai morreu... e eu quero que ela seja feliz, e aquele... gajo, não é o suficiente bom para ela. A minha mãe depois do que se passou expulsou-o de casa.
- Oh! Desculpa, se eu não tivesse-me colocado...
- Eve! Por favor! Ele bateu-te, ele teve tempo suficiente para se parar mas ele não parou! - Exclamou e então parou e com as mãos em punho.
Eu parei um pouco a frente, estávamos agora a beira da fonte do parque. Ele olhou-me e parecia quase como se visse a minha alma arrepiei-me e coloquei uma mão no seu ombro.
- Como é ele morreu? - Perguntei olhando-o com pena.
- Atropelamento - disse e tentou relaxar. - Tinhas uns 7 anos quando isso aconteceu.
- Lamento - murmurei.
Ele acenou relaxando e começamos a correr, demos a volta ao parque e voltamos para casa quando chegamos a minha casa paramos e bebemos água. Ele olhou-me pensativo. Fogo, ele nem estava a suar, nem parecia cansado!
- Por favor, Eve! Não te afastes de mim. A Ash, ela está a tentar algo comigo mas eu não quero nada com ela! - Exclamou olhando-me com medo.
- Porque não?
- Ela não é rapariga que me roubou o coração...
- Oh meu deus! Que romântico! - Exclamei rindo. - Ela é uma rapariga de sorte então.
- Ela é, só que não fazia ideia que eu existia. - Disse rindo.
- Ela então é cega! - Exclamei olhando para o seu corpo.
Ele riu-se e colocou a mão no meu maxilar que me estava dorido. Ele percorreu o polegar pelo meu queixo, eu estremeci enquanto ele se aproximava até mim, me fazendo estremecer, olhei para os seus olhos castanhos e estremeci ao ver o seu brilho nele.
- Doí? - Perguntou-me olhando-me preocupado.
Eu acenei um pouco para que não perdesse o contacto da sua mão. Eu respirei fundo, quando o vi a inclinar-se para mim, aproximando-se ficando com o rosto perto do meu, ele olhou para os meus lábios e engoliu em seco. Ele ia me beijar! Recuei e ele baixou a mão.
- Eu não vou me afastar de ti, Liam - disse sorrindo levemente.
Ele sorriu envergonhado e obviamente sem saber o que fazer. Eu respirei fundo e olhei para ele nós olhos.
- Apenas não digas a Ash ou ela faz a vida negra a Marie e a Julie na escola - disse revirando os olhos.
- Ah, já sei - disse também revirando os olhos. - Não te preocupes eu protejo-as. E se eu não for já para casa eu vou chegar atrasado as aulas. Vais me falar hoje certo?
Ele segurou a minha mão e apertou levemente olhando-me nos olhos.
- Claro - murmurei e desviei o olhar quando ele deu um sorriso de orelha a orelha.
Ele deu-me um beijo na testa e correu para casa deixando-me estática a olhar para ele enquanto ele ia para casa a correr.
- Adeus Eve!
- Adeus Liam!
Ele entrou em casa e eu fiquei ainda assim parada a olhar. Tudo mudara! Antes de ontem, tinha apenas duas amigas e uma casa normal, com escola na casa, nada mais, agora o meu vizinho era o meu melhor amigo, tinha uma inimiga e o meu pai pelos vistos odiava a mãe de Liam. O que raio se passou?
Não sei porque mas comecei a rir as gargalhadas enquanto ia para casa, aquele rapaz estava a me a colocar a minha vida de pernas para o ar e eu nem sabia o que fazer. Subi as escadas para a porta e reparei num post-it amarelo com uma caligrafia elegante, eu peguei nele e fique espantada quando li.
Afasta-te do meu filho e da minha família, James, eu não quero voltar a repetir! E diz a tua filha para parar de falar com o meu filho! Deixa o passado como está, não há maneira de altera-lo! Maggie.
 Fiquei de boca aberta a olhar para o bilhete antes de entrar em casa. O que raio se passara entre o meu pai e a mãe dele? Eu teria que perguntar ao Liam se ele sabia, mas algo me dizia que ele não fazia ideia.


Continua...
1º parte - O Rapaz Da Casa Ao Lado - Ver Aqui
2º Parte - Nem Tudo É Perfeito - Ver Aqui
4º Parte - Águas Profundas - que será depois de Pressão do conto One Day
Love Peace and Write
Kisses Lovewriters


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