Os Desenhos

5º Parte
Depois de uma tarde de visitas nos chegamos ao hotel, fora espectacular estar no meio daquela confusão da cidade e das pessoas a passarem no seu habitual ritmo. Também gostei imenso estar com Taylor mas ao mesmo não conseguia estar totalmente confortável ao lado dele. 
E o quarto não era nada mal. Tinha duas camas, com colchas douradas e as paredes eram meio azuis com uma mesinha com um telemóvel e tapetes fofos, e tínhamos uma  pequena varanda com duas cadeiras de esplanada. 
- Então o que se passa contigo e com o Taylor? - Perguntou Aurya ao entrar no quarto com o cabelo molhado depois de sair do banho. 
 - Nada - disse secando o meu cabelo. 
Ela estava com calças de ganga e uma sweatshirt cinzenta, eu tinha umas leggins pretas e uma camisola de la preta de gola larga. 
- Vocês passaram a tarde toda a se falarem e sempre perto de um e do outro - disse sorrindo olhando-me enquanto penteava o cabelo sentado na sua cama. 
- E o que tem? - Perguntei espantada a olhar para ela. 
- Bem, desde que se passou o que se passou raparei que não ficas muito incomodada a beira dele. É a primeira vez que estás na boa, e a que referir uma coisa muito clara, ele não é o tipo de rapaz que uma rapariga fique a vontade.
- Ele é bastante reservado e defensivo mas bastante simpático e inofensivo...
- Nora, mesmo eu ou as raparigas ficamos incomodadas por estar perto dele. - disse rindo - a principio, mas tu não, tu estavas a vontade, até dormiram agarrados!
- Isso não quer dizer nada! - Disse olhando para ela rindo - eu e ele não temos qualquer controlo sobre o nosso inconsciente, não temos qualquer controlo sobre os nossos movimentos. 
- Inúmeras vezes te vi dormir em visita de estudo, tu és uma estátua praticamente. 
- Isso não é nada estranho! - Disse ironicamente rindo levemente. 
- Oh por amor de deus! Nora admite, tu até gostas da companhia dele - disse sorrindo divertida.
- Então admite que há algo a se passar contigo e com o Nathan.
Ela calou-se a olhar para o espelho e nessa altura bateram a porta, rindo um pouco abri a porta, Anya e Clary entraram a falar sobre os rapazes sem mesmo olhar para nos ao entrarem, eu sorri e sentei-me na minha cama pegando no mp3 pondo-o a carregar.
- Ainda bem que vocês chegaram eu e a Nora estavamos agora a falar que há alguma coisa a se passar com ela e com o Taylor - disse Aurya que parou de pentear o cabelo e olhou para elas - ela diz que não se passa nada mas eu digo que se passa.
- Eu concordo com a Aurya - disse Clary - há algo a se passar com vocês os dois.
Anya acenou mas não disse nada, olhava para a janela pensativa. Ignorando a conversa lembrei-me do Andrew e de como Anya ficara estranha desde que estivera com ele.
- Estás bem Anya?
Ela olhou para mim confusa e então corou.
- Sim...
- Não, não estás. Porque é que nunca falaste do Andrew? - Perguntei.
Ela suspirou e levantou-se e começou a andar de um lado para o outro nervosa, torcendo as mãos estalando-as.
- Porque nunca houve razão para vós contar. Sim, ele foi o meu primeiro amor, mas é só isso.
- Se fosse só isso, terias contado - disse-lhe pegando no tele para ver se tinha algumas mensagens.
Ela suspirou e passou a mão pelo cabelo loiro e então sentou-se na cadeira perto de Aurya.
- Nunca deixei de gostar dele. E vê-lo assim do nada, foi como se todos aqueles sentimentos voltassem - disse passando a mão pelo colar que ela sempre usara e que nunca tirara. - Só que ele me magoou muito deixando-me sem se despedir quase. Eu nunca contei porque sabia que vocês iam me fazer perguntas e agora eu não quero falar disso, temos que ir lá para baixo para a sala de convívio para jantar.
Olhamos uns para as outras sem saber o que dizer, acenamos e levantamo nos e saímos do quarto indo para o elevado demasiado caladas, fomos para o Hall de entrada do hotel que era estilo clássico com colunas e paredes decorada com papel de parede vermelho. Fomos para uma sala a beira que estava cheia de mesas redondas e um buffet elegante. Nós fomos para a fila e demos o nosso cartão, que era um cartão que nós deram para o jantar e para o pequeno almoço e pegamos no nosso prato e fomos para a mesa de buffet, pegamos em alguma comida e olhamos para as mesas a procura de lugar, numa das mesas estava o Nathan, o Luck e a Marise, eles acenaram para nós nos sentarmos com eles, por isso nós fomos para a mesa deles. Ao me sentar, olhei para a fila a procura de Taylor, mas não havia sinais dele.
- Que foi Nora? Estás a procura do Taylor? - Perguntou Luck sorrindo.
Eu olhei para ele e não respondi apenas olhei para Marise que estava a olhar para uma rapariga numa mesa que falava com as amigas animada, a mesma rapariga que o Taylor parecia conhecer.
- Ele está no quarto pegou na comida e foi-se embora, está no quarto - disse Nathan que estava a beira da Anya.
Não comentei apenas comi enquanto eles falavam da cidade e de Toledo que iríamos amanha de autocarro. Quando acabei de comer Luck recebeu uma mensagem e deu-me uma garrafa de água para a mão.
- Podes ir ao quarto do Taylor, ele está no quarto ao lado do vosso, ele pediu-me mas como acabas-te podes ir?
- Claro, vê-mo nos daqui a pouco.
Sai da mesa sem deixar de reparar que eles estavam com um sorriso matreiro no rosto, mas não liguei. Ao chegar ao meu quarto fiquei na duvida se devia ou não entrar mas antes disso bati a porta do quarto.
- Está aberta!
Eu estranhei, mas abri a porta e entrei no quarto que era igual ao meu e da Aurya. Mas o Taylor não estava em lado nenhum, estranhei mas ao olhar para a janela vi iluminado o Taylor num banco grande com o bloco de desenhos no colo, engoli em seco e bati na janela, Taylor olhou e ficou de boca aberta a olhar para mim para mim, eu abri a janela e sai para a varanda.
- Ei! Hum, o Luck pediu-me para te trazer isto - disse mostrando a garrafa que tinha na mão.
- Tu não precisavas de criar desculpas para me ver - disse com meio sorriso.
- Desculpa! - Exclamei.
- Estás desculpada - disse sorrindo.
Bufando pousei a garrafa na mesa a beira dele e virei-me para ir embora quando ouvi ele a se levantar.
- Ei! Ei! - Exclamou saltando do banco pegando no meu pulso.
Ele puxou-me para ele e de repente eu estava no colo dele que me levou para o banco e se sentou comigo no colo. Eu tentei sair mas ele não me deixou ir.
- Ei! Calma! Foi o Luck que te pediu para vir aqui? - Perguntou agarrando-me nas pernas para eu não sair do banco.
Eu apenas olhei para ele furiosa e corada nas bochechas, ele pegou numa manta e me tapou as pernas que estavam no colo dele e as pernas dele.
- Desculpa - disse sorrindo - eles são uns diabretes, as vezes. Fica aqui um pouco, por favor.
Eu olhei para ele admirada e parei de tentar sair do colo dele e encostei-me ao braço do banco olhando para ele sem saber o que lhe dizer, ele pegou no bloco de desenhos e pôs nas minhas pernas como apoio e trincou o lápis olhando para a vista, ele olhou-me de canto a espera que eu dissesse algo.
- Eu fico - respondi sentindo um frio no estômago.
Ele sorriu e continuou a desenhar, eu conseguia ver no papel parcialmente a cidade a nossa frente.
- Que estás a pensar da viagem até agora? - Perguntou desenhado. - É o que estavas a espera?
- Não, não está a ser nada do que estava a pensar que ia ser, na verdade fez-me esquecer muita coisa.
- Coisas que te fizeram chorar antes de entrares na camioneta ontem? - Perguntou-me olhando de canto.
- O quê? Do que é que estás a fa...
Calei-me e recordei-me que ontem ao ir para a estação de camionetas tinha batido contra um rapaz enquanto eu chorava no passeio.
- Eras tu... - sussurrei e tapei o rosto com a manta azul.
Ele tirou a manta e puxou o meu queixo para cima para me olhar nos olhos. Os olhos cinzentos dele estavam brilhantes e me olhava preocupado.
- Não fiques assim, que se passou para estares assim?
Eu desviei o olhar e ele largou o meu queixo e afastou o meu cabelo do rosto e sorriu
- Eu realmente tenho que ir - disse e afastei a manta e tentei sair mas ele agarrou-me.
- Desculpa, que tal fazer uma coisa... vamos nos conhecer melhor e se no final tu quiseres desabafar eu estarei aqui - disse sorrindo levemente - não vás.
Mordi o lábio, pensativa e ele perdeu o sorriso olhando para mim muito serio, franzi a testa mas sorri.
- Okay pode ser - disse e cobri-me com a manta.
Ele continuou a olhar para mim, parecia atordoado, ele engoliu em seco e olhou para a vista.
- Quem é a rapariga da catedral, aquela rapariga que tu pareces conhecer?
Ele bufou e olhou para o desenho com a roer o lápis.
- Essa pergunta fica para quando conhecermos nos melhor... Não, espera, eu vou contar - disse começando a desenhar.
Eu peguei numa almofada e pus atrás de mim para me encostar no banco e olhar para o Taylor com completa atenção.
- Ela é a minha ex.
- Ahhh a tal - disse sorrindo de canto com pena.
- Eu e ela namoramos durante muito tempo, só que nunca especificamos que namoramos exclusivamente - disse bufando enquanto passava o dedo pelo desenho para esvoaçar as linhas - ela pelo menos não definiu a relação, na minha opinião durante esse tempo todo pensava que estávamos exclusivos e ela sabia exactamente que eu tinha essa definição. Ela usou-me, durante anos e então eu descobri um dia decidi sair com Luck porque ele me queria contar a verdade sobre a Marise quando vi-a a beijar um amigo meu. Eu não fiz nada, calei-me e aturei o que se estava a passar. Dois dias depois eu seguia e vi-a com o irmão de Nathan... num motel...
Ele puxou as mangas da camisola ficando com as tatuagens a mostra, eu inconscientemente passei a mão por elas. Ele olhou-me de canto.
- Se não quiseres contar...
- Não, eu quero. Eu nunca disse a eles, eles não fazem ideia Nora. Eu mantive para mim próprio Hum depois do que vi decidi enfrenta-la, foi ai que descobri que ela nunca se interessou com a nossa relação que para ela não era exclusiva. Eu acabei com ela, mas para ela eu continuo a ser dela. Sempre que aproximava-me de alguém ela se metia no meio e fazia recuar qualquer pessoa.
Eu passei a mão pelo cabelo sem ideia do que dizer. Ele mordeu de novo o lápis e pegou num maço de cigarros e bateu nele pensativo. Pegou num isqueiro e de repente se apercebeu que eu estava ali.
- Desculpa, eu talvez não deva... - disse guardando o isqueiro no maço.
- Não, se quiseres podes, eu não me incomodo, tu estás as horas sem fumar, eu percebo o vicio.
- Mas tu não fumas provavelmente não bebes - disse sorrindo colocando o maço na mesinha.
- Bem, sim, não fumo mas eu não me importo.
Ele sorriu e mordeu mais um pouco o lápis, e voltou a olhar para o desenho. Eu olhei para ele curiosa.
- Mas o que se passou depois?
- Hum, nada. Eu não me quis meter mais com ela, ela é determinada e eu sinceramente já não quero saber, é raro me aproximar de alguém - disse desenhando e de seguida olhou para mim de canto.
Eu corei e olhei para o lado para a vista, eu conseguia ver a Puerta del Sol, e noite estava cheia de estrelas e a lua.
- Porque é que as tuas amigas não gostam de mim? - Perguntou sorrindo.
- Elas... espera, porque é que achas que elas não gostam de ti?
 - Bem, no autocarro elas te fizeram sentar ao meu lado, eu notei a discussão.
- Eu é decidi sentar-me a tua beira, não tem nada a ver. Elas não estavam a discutir sobre ti.
Ele parou de desenhar e olhou para mim serio a espera.
- Okay, elas não queriam se sentar a tua beira acharam que eras um pouco assustador - disse encolhendo os ombros bocejando enquanto me encolhia mais na manta ficando quase deitada. - Mas isso não significa que elas não gostam de ti.
- No autocarro elas não pararam de olhar para nós - disse enquanto olhava para mim.
- Elas estavam preocupadas - disse olhando para o céu. - E vá lá Taylor, tu pareces assustador com as tatuagens e a atitude.
- Tu não tiveste medo de te sentares ao meu lado - disse olhando para mim. - Porque é que te sentaste ao meu lado?
- Não me metes medo - disse rindo - podes parecer um pouco... hum... assustador. Mas sinceramente as tuas tatuagens são fascinantes.
Ele começou a rir e de repente começou as gargalhadas, fiquei confusa mas ao mesmo tempo fiquei fascinada ao ver o seu rosto passar de serio para belo e engraçado.
- Okay, mesmo assim durante a tarde toda quando estávamos todos juntos, elas mal me falavam e não paravam de olhar para mim quando falava contigo e como se tivessem a espera que te atacasse.
- Como fizeste a pouco? - Perguntei cheia de sono.
Ele riu-se e fechei os olhos cheia de sono.
- Elas só estão preocupadas, algo se passou comigo e estão preocupadas quando estou com com um rapaz.
Ele acenou e não disse nada. Ele continuou a desenhar e eu olhei para a vista, estava exausta pensei, devia de ir para o quarto.
- Eu estou habituado as pessoas me julgarem por causa da aparência, isso afasta-as e se não e aparência é a minha atitude e eu fico bem com isso. Tu também afastas as pessoas.
- Eu tenho que fazer, eu não gosto de dar confianças - disse bocejando com dificuldade a manter os olhos abertos, ele pegou na minha mão e colocou no seu braço, inconscientemente passei a mão pelas tatuagens. - Eu gosto de me manter com um pé atrás.
Ele continuou a desenhar, ele olhou para mim de relance e de novo para o desenho.
- Estás a desenhar-me? - Perguntei bocejando começando a adormecer.
Ele sorriu e continuou a desenhar. Tentei abrir os olhos mas adormeci encolhendo-me na manta.


Estava a dormir quando senti braços a minha volta me levantando do banco, eu agarrei-me para não cair. Abri os olhos e vi que Taylor tinha me pegado do banco e estava a me levar para o quarto. Lá estava o Luck e o Nathan que se riram ao nós ver.
- Ei Nora! - Exclamaram.
- Pensei que só ias levar-lhe a garrafa de água - disse Luck sorrindo.
Taylor posicionou-me melhor e deu um murro na cara dele, Luck quase caiu mas começou a rir agarrado ao maxilar, Nathan agarrou o Luck a rir.
- Não voltes a fazer uma graça dessas a ela, por favor - disse Taylor, mas notava na voz dele um certo tom de humor.
Se calhar estava a sonhar, pensei enquanto Taylor abria a porta do quarto e íamos para o corredor onde Aurya esperava com a porta do nosso quarto aberta.
- Ela adormeceu? - Perguntou baixinho.
- Estávamos a conversar e ela adormeceu, eu não a quis acorda-la só esperei que vocês chegassem - disse baixo praticamente ao meu ouvido.
Ele passou por ela, entrando no quarto.
- Aquela é a cama dela - disse Anya em algum lugar do quarto.
Taylor foi até a cama e deitou-me nela, eu olhei para ele e vi-o a puxar os lençóis sobre mim, ele olhou para mim e piscou-me o olho antes de sair do quarto. Aurya sorriu-me e fechou a porta.
- Isto ainda vai dar que falar - murmurou para mim.
Eu bocejei e virei-me adormecendo de novo.


- Nora, acorda!
Acordei e vi que Aurya estava de pijama a minha beira.
- Que foi? - Perguntei sentando-me na cama reparando que estava ainda vestida. - Como cheguei aqui?
Ela sorriu e eu sai da cama vendo que estava descalça, eu estiquei-me lembrando-me que tinha estado com Taylor e tinha adormecido no banco na varanda do quarto dele enquanto ele desenhava.
- O Taylor trouxe-te até aqui - disse sorrindo - muito romântico.
- Então eu não sonhei com aquilo - disse esfregando o rosto tentando acordar. - Não digas nada! Não comentes.
Eu comecei a me vestir, enquanto pensava no que se passara, eu e ele estivemos a falar e eu não me senti em pânico ou retraída nem em pânico.  Eu senti-me a vontade, mas o que é que isto significava? Pensei colocando a minha roupa toda na mala fechando-a.
- Vamos? - Perguntei a Aurya.
Ela acenou puxando a mala para a porta, ela estava com casaco verde e calças de ganga, estava com ténis e uma mochila. Eu peguei na minha, eu estava com uma casaca preta com leggins cinzentas e botas pretas e um cachecol cinzento. Ela abriu a porta e nós saímos para o corredor indo rapidamente para o elevador antes que aparecesse mais pessoas. Fomos para baixo, para o Hall e fomos para a sala. Deixamos a mala perto do nosso guia e coordenador da viagem e fomos para a fila onde Anya e Clary estavam a nossa espera.
- Ei! - Cumprimentaram-nos sorrindo.
- Ouvi falar que o Taylor levou-te a cama - disse Clary sorrindo.
Tapei a cara grunhindo irritada.
- Oh meu deus! Tudo bem, mas não se ponham a inventar historias, Taylor é apenas um rapaz que eu consigo lidar mas isso não quer dizer nada.
- Bom dia! - Exclamou uma voz atrás de nós.
Eu corei e olhei para trás e vi que Taylor estava atrás de nós, ele deu meio sorriso olhando-me, ele estava com uma casaca cinzenta e umas calças de ganga largas e botas pretas. Ele estava com mais barba que antes.
- Bom dia - sussurrei desviando o olhar. - Obrigado por tudo, já agora de ontem.
- Na boa - disse sorrindo. - O pessoal está naquela mesa se quiserem se sentar connosco podem se sentar connosco.
- Claro, obrigado.
Ele sorriu e foi para a mesa perto da fila, Luck acenou para Clary e Nathan para Aurya, eu sorri vendo elas a corar.
Nós pegamos no pequeno almoço e fomos para a mesa deles, eu sentei-me a beira de Taylor que estava com o bloco de desenhos, Aurya estava ao meu lado, a Anya estava a beira dela e a Clary estava a beira de Luck.
- Temos meia hora para comer antes de irmos para Toledo - disse Marise olhando para Luck de canto.
Bebendo o meu leite com chocolate eu peguei no caderno de desenhos de Taylor enquanto ele comia, ele olhou-me de canto mas não disse nada.
- E quando chegarmos lá, vamos directos para o hotel para arrumar as malas, para não nós preocuparmos com isso. - Disse Nathan sorrindo e quando olhou para mim ficou de boca aberta.
Eu folhei o caderno, vendo imagens da catedral, da vista da cidade, as ruas até pessoas, tudo era tão detalhado que eu fiquei de boca aberta a olhar para os desenhos, passei pelas linhas dos vitrais da catedral suavemente. Olhei de relance para ele, vendo a conversar com o Luck, que estava a olhar para mim de boca aberta, olhei para todos e vi a Marise e Nathan a olharem para mim espantados.
- Que foi?
- Ele nunca nos deixou ver os desenhos - disse Marise olhando para mim espantada. - É incrível, ver ele...
Taylor tossiu olhando para ela, eu corei e olhei para as raparigas que estavam a tentar não sorrir.
- Continuando - disse Nathan  obviamente vendo que eu não estava a vontade - é melhor vermos falarmos com o guia sobre o itinerário.
Eu voltei aos desenhos chegando ao primeiro que fez, provavelmente no autocarro ontem. Era... era eu... com o cabelo um pouco despenteado, com um meio sorriso a fazer covinha na bochecha e nos meus olhos podia ver um certo traço de desconfiança.
- Hum gostas?
Olhei para Taylor espantada.
- Eu... Porquê?
- Quando... - Começou por dizer mas de repente o caderno que eu tinha na mão foi puxado com força, ei saltei e olhei.
Era a ex do Taylor, era loira de olhos azuis com um bronzeado falso, casaco de pele branco com pintas pretas a imitar estilo animal, e umas calças de ganga e saltos de cunha. Como é que eles namoraram?
- Desculpa, mas nunca te disseram que não se deve meter-se com o namorado de outras? - Perguntou e puxou a minha cadeira ficando frente a frente a ela, eu via as unhas dela eram grandes - O Taylor é meu, querida.
Eu levantei-me fazendo-a afastar-se. Ela olhou-me espantada e desconfiada.
- Primeiro, não me estou a meter com ninguém, segundo - disse arrancando o caderno dela - ele não é teu namorado e terceiro afasta-te tu, querida.
Taylor levantou-se quando a rapariga tentou se atirar a mim, eu afastei-me.
- Ridley, afasta-te, nós não estamos juntos e na tua opinião nunca tivemos.
Ela bufou e afastou-se Taylor olhou para mim preocupado mas não sei como Ridley conseguiu passar por ele e me dar uma bofetada. Taylor afastou Ridley e pegou em mim enquanto a minha cara doía principalmente no nariz.
- Desculpa, desculpa - disse enquanto me levava para o Hall, ele pegou na mala dele e na dele, falou um pouco com o guia segurando o meu braço.
Ele me levou para fora do hotel depois de falar com o guia e entrou no autocarro puxando-me com ele, e ele me sentou no meu banco e sentou-se ao meu lado.
- Estás bem? - Perguntou agarrando o meu queixo.
- Estou bem - disse tentando afasta-lo - pará.
Ele passou a mão pelo meu rosto analisando-me.
- Eu apenas sei, que algo se passou contigo, que foste abusada pelo teu namorado, eu não sei se foi fisicamente ou... - disse e ele calou-se olhando para mim preocupado. - por isso quando ela te bateu, eu nem pensei, eu só queria que ficasses bem.
- Não... - disse muito perto dele - não foi isso que se passou e eu estou bem, apesar de ela ter uma enorme força - disse rindo.
Ele passou de novo a mão pelo meu rosto e de repente foi como se houvesse algo a atrair-me para ele e eu queria... ele afastou o meu cabelo e engoliu em seco olhando-me serio, aproximando-se de mim...
- Nora! - Exclamou uma voz vinda das escadas.
Eu e Taylor nos afastamos assustados e olhamos para as escadas vendo a Clary aparecer preocupada a olhar para mim.
- Estás bem? - Perguntou e de seguida olhou para nós os dois e ficou confusa. - Que se passa?
- Nada, eu estou bem - disse sentindo o meu coração saltar da boca quase.
Olhei de canto e vi que Taylor estava a olhar-me serio.
- Bem, aquela gaja até mete medo, Taylor... - disse indo para o corredor.
Atrás dela vieram o resto do pessoal que ficaram a perguntar se eu estava bem e o que raio se tinha passado, enquanto eu falava com Aurya vi o Taylor agarrar o bloco de desenhos endireitar o meu desenho, ele olhou-me e sorriu-me de lado, mas eu não conseguia parar de pensar no que tinha acabado de acontecer... Será que ele ia me beijar? Será que eu queria que ele me beijasse?
Viagem Inesquecível
P.S: Não se esqueçam de votar: Será que Taylor sente algo por Nora?



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