Primeiro Amor - Anya

4º Parte
Depois do almoço num restaurante, onde todos nós agimos um pouco estranhos fomos de camioneta até a  Catedral de Nuestra Señora De La Almudena. Marise foi comigo até as portas com o grupo atrás de nós. 
Olhei para trás, Nora estava a falar com Taylor mas afastada com as defesas levantadas, Clary estava a falar com Luck, que estava bastante alterado desde o momento que a Marise o beijara e Aurya estava a tirar fotos a catedral com Nathan ao seu lado. Marise ao meu lado estava atenta ao grupo a nossa frente, como se estivesse a procura de alguma coisa. 
Eu concordara ir nesta viagem por Nora, ela foi magoada, quase entrou numa depressão com uma relação tão tóxica que nenhuma de nós pensou que ela tinha coragem de acabar e quando fez estava tão quebrada emocionalmente que demorou 3 semanas para falar e um mês para convence-la para ir nesta viagem. A parte fácil foi engana-las pagando a viagem toda para ninguém desistir. 
Elas não faziam ideia de que era rica, que tinha tudo na vida, um apartamento caro, roupas caras e pais importantes, elas não se importavam com isso e eu estava feliz por isso, elas me viam como me viam e era assim como queria que me vissem, não o dinheiro, não a herança, não o estatuto, não as roupas apenas eu. E ser como era não me afectava, não era convencida, não era arrogante e muito menos snobe. Tinha uma vida perfeita, não desejava mais nada se não aquilo que já tinha mas sentia que algo faltava e não sabia o quê nem sabia porquê e nem sabia se tão cedo ia saber. 
Olhei para a catedral neoclássica a minha frente enquanto atravessávamos os portões juntando-nos a outros grupos que pareciam vindo de uma escola.
Taylor de repente estava ao meu lado olhando para mim atentamente. 
- Que se passa? - Perguntei vendo que ele estava hesitante. 
Nora estava atrás dele a falar com a Aurya e com Nathan. Marise estava tão focada em algo que mal reparara em nós. Clary estava afastada com Luck enquanto o guia ia organizar as visitas de grupo. 
- Eu queria te perguntar uma coisa, eu não queria perguntar a Aurya ou a Clary porque elas estão com os rapazes e isto é um assunto sobre a Nora - disse olhando para mim demasiado serio com os olhos cinzentos frios. 
Não importa que ele não tenha feito algo de mal, com a altura dele, o seu rosto e as tatuagens davam-lhe um aspecto tão perigoso que era impossível estar a vontade a beira dele. 
- O que queres saber? - Perguntei olhando para ele. 
-O que se passa com ela?
Virei-me para ele analisando-o, ele tinha as mãos nos bolsos, e olhava-me também a analisar-me. 
- Porque perguntas isso? Porque estás com esse interesse?
- Vamos dizer que conheço de perto um caso de violência domestica e sei como uma rapariga fica depois de acabar, defensiva, vulnerável, com traumas. - Disse analisando-me - e evitam as vezes directo contacto de olhar nas pessoas. Nora é uma rapariga forte, eu consigo ver isso, um pouco frágil ainda do que se passou com ela. Eu não sei se foi agressão física ou psicológica, não preciso saber isso, eu só quero saber se ela está bem. Eu notei quando tivemos na estação de serviço e fiquei atento. Alguém a magoou. 
Suspirei e massagem a testa exausta, nem eu nem elas esperavam que fosse evidente nem esperava que alguém como Taylor reparasse. Olhei para ele, parecia preocupado genuinamente preocupado. 
- Pode ser dela, ela pode ser assim - disse-lhe encolhendo os ombros ele apenas olhou para mim serio e percebi que ele não ia desistir. - Ok, sim algo se passou com ela, não posso te dizer o quê, porque é assunto dela não meu, mas como disseste Nora é forte e o que se passou apesar de a deixar com feridas ela ficou ainda mais forte e sim ela está bem. 
A sua mascara de rapaz forte caiu e por momentos pode ver receio e dor enquanto olhava para Nora que estava a uns metros a nossa frente.
- Foi uma besta com ela na estação de serviço - murmurou e então olhou para Marise que estava perto. - Ouvi dizer que estavas a tentar controlar a situação da Marise e do Luck.
- Tento se bem que não percebo o que se está a passar - disse encolhendo os ombros.
Ele olhou para onde ela estava a olhar e vi-o a ficar pálido olhei para onde ele estava a olhar e vi uma rapariga loira de blazer azul e leggins pretas a olhar para o Taylor.
- Ei! - Exclamei ao ver que ele estava vulnerável com os olhos presos na rapariga. - Estás bem? Parece que viste um fantasma. Conheces-a?
- Foi uma má ideia ter vindo nesta viagem - disse entre dentes para si mesmo.
Nora que olhara para ele nesse momento foi ter connosco preocupada.
- Taylor? Estás bem?
Ele não respondeu apenas continuo a olhar para ela como se tivesse acabado de ser baleado. Nora colocou uma mão no seu ombro e ele olhou para ela friamente mas nos seus olhos podia ver alivio a olha-la. Ele desviou-se dela e foi ter com Luck.
- O que se passa com ele? - Perguntei espantada.
Nora encolhei os ombros olhando para ele e foi ter com Aurya que a chamava. Marise foi ter comigo.
- O que se passa com a Nora e com o Taylor? - Perguntou curiosa.
Ela era bonita, de pele muito morena e cabelo preto comprido de olhos azuis profundos, com uma casaca preta reluzente, leggins vermelhas e sapatilhas da nike. Ela estava confusa em relação a algo, conseguia perceber pela maneira como falara da relação dela com o Luck, que era confusa e estranha para dizer o mínimo. Ele era rígido quando estava com ela, nenhum sorriso, nenhuma abraço ou beijo espontâneo e ela estava atirava-se ele como se fosse a força mas não era capaz de olhar para ele nos olhos.
- Não sei é estranho - disse encolhendo os ombros quando vi que o guia tinha voltado e nos guiava para a catedral atrás dos outros grupos.
Vários guias da catedral levaram os dois primeiros grupos deixando o nosso grupo e outro grupo de uma escola. A nave a nossa frente parecia comprida com grandes bancos de madeira que iam até ao altar, e as colunas era enormes apoiando o tecto que estava repleto de vidrais com figuras deixando-me sem fôlego. Nós tínhamos que esperar que o guia terminasse para irmos por isso, Taylor pegou num bloco e começou a desenhar. Nora estava perto a falar com Luck mais a discutir sobre a Marise, Taylor olhou de canto para ela preocupado e ao mesmo tempo admirado mas continuou a desenhar, Clary a beira tentou desviar a conversa preocupada ao lado de Luck. Aurya estava perto da porta e Nathan estava a tentar tirar-lhe a maquina fotográfica para lhe tirar fotos mas ela ria e se desviava. Sorri com aquela cena, estava tudo a correr bem até...
- Anya!? - Exclamou uma voz ao meu lado.
Olhei surpreendida para ao lado e vi um rapaz moreno de cabelo preto e olhos verdes, com camisa e casaco castanho, calças de ganga e botas a dirigir-se a mim. Reconheci-o de imediato apesar de não o vê-lo a anos.
- Andrew!
Ele abraçou-me levantando-me do chão, eu já não o via a anos, ele fora o meu primeiro amor, ainda me lembrava nos meus 14 anos o beijar a beira do lago da minha casa e como ele me pedira em namoro com uma coroa de flores. Ri-me quando ele me apertou ainda mais. Ele afastou-se e segurou-me a cara com um sorriso de orelha a orelha fazendo o meu coração bater mais rápido.
- Tu não mudaste nada - disse rindo com a voz mais rouca do que antes e muito mais alto que eu fazendo-me erguer a cabeça - quer dizer, estás muito mais bonita mas para mim continuas a ser a minha princesa.
- Oh para Andrew - disse sorrindo dando-lhe uma palmada no braço corando.
Ele sorriu e apertou uma das minhas bochechas.
- Continuas a corar como antes - disse sorrindo.
- E tu continuas o mesmo cavalheiro de sempre - disse sorrindo.
Nora e os outros curiosos aproximaram-se.
- Então Anya quem é o teu namorado? - Perguntou Clary sorrindo ironicamente. - Agora percebo porque querias tanto vir para o encontrar, não foi?
Andrew riu e deu-me um beijo na cabeça pondo o braço a volta dos meus ombros num meio abraço virando-se para eles.
- Andrew está é a Clary, ela está na brincadeira obviamente - disse sorrindo para ele.
Ele pegou na mão de Clary e deu-lhe um beijo nas costas da mão fazendo com que ela ficasse de olhos arregalados e perdesse o sorriso. Luck ao seu lado ficou com os olhos atentos.
- Talvez não estejas errada - murmurou contra a sua mão.
Eu me ri, Andrew sempre fora um brincalhão quando largou a mão dela riu-se um pouco e Clary também.
- Este é o Luck, a Nora, o Taylor, o Nathan, a Aurya e a Marise - disse rindo.
Ele cumprimentou Luck com aperto de mão e ia dar dois beijos na Nora quando ela dá um passo atrás oferecendo a mão, ela estava tensa e olhava para a mão, tanto Andrew como Taylor olharam de Nora para mim eu apenas encolhi os ombros enquanto Aurya dava um aperto no ombro de Nora. Andrew apertou-lhe a mão e cumprimentou os outros rapidamente antes de se virar para mim.
- Podes-me explicar o que estás aqui a fazer? - Perguntou-me sorrindo.
- Viagem até Toledo, está e a nossa primeira paragem, amanhã já vamos para lá, vamos ficar lá durante uma semana - disse sorrindo. - E tu? Eu soube que tinha vindo para Espanha, mas como perdemos contacto não sabia que andavas por aqui.
- Moro cá, vim aqui numa visita de estudo.
- Então ex-namorado ou amigo? - Perguntou Nathan de repente com um sorriso matreiro no rosto.
- Amigo.
- Ex-namorado - disse Andrew ao mesmo tempo que eu.
Todos se calaram tentando controlar o riso e olharam de canto uns para os outros. Andrew olhou para mim sem sorrir pela primeira vez quando o guia reapareceu e pediu para nos seguirmos para a nave colateral.
Eu e Andrew ficamos um pouco atrás quando ele se virou para mim curioso.
- A serio? Amigo?
- Se eu dissesse ex elas iriam me arrastar para um canto e me interrogar - disse encolhendo os ombros enquanto passávamos pelas colunas enquanto o guia nos falava sobre a catedral.
- Então decidiste que o que se passou connosco não importava para as tuas amigas, nem mesmo para ti? - Perguntou com a voz hesitante.
Engoli em seco e olhei para ele e vi que ele estava serio demais.
- Não, eu apenas não quero que haja uma cena enorme porque acabei de ver um ex. Elas começavam logo as perguntas, onde vocês se conhecerem? O que se passou? Quem beijou quem? Neste momento, não me apetecia passar por isso.
- Porquê? Algo se passou? - Perguntou preocupado olhando para mim.
- Não comigo, não te preocupes - disse olhando para ele. - Como estás?
- Bem e tu? Como estão as coisas?
- Nada mudou desde que fostes - disse rindo para ele. - A minha família está bem, a escola anda bem e esta tudo bem comigo.
Ele colocou automaticamente o braço a redor de mim abraçando-me perto como antigamente mas a diferença agora é que ele era mais alto que antes e mais homem do que rapaz.
- Sempre foste uma rapariga bem disposta, nada te podia por para baixo - disse rindo - mas não é só isso que eu queria perguntar. Já arranjaste alguém para me substituir?
- Substituir? - Perguntei a rir olhando de canto vendo que apesar de ele estar a rir parecia curioso.
- Tens namorado ou não? - Perguntou com a voz mais rouca.
Ri-me o que fez com que todos olhassem para nós de canto, eu calei-me e segurei o riso com o Andrew.
- Não, não tenho - disse encolhendo os ombros - Como andas na escola?
- Em futebol, tenho uma bolsa de estudo num colégio privado por ser futebolista - disse e então olhou para mim - e não, não tenho namorada.
- Namorado?
Ele ficou serio e olhar para mim e então sorriu puxando-me levemente uma madeixa de um cabelo.
- Sempre gostei como tu pensas - disse rindo baixo. - Eu não estava nada a espera de te encontrar.
- Nem eu, mas foi agradável até - disse e então eu não consegui segurar o que a anos me esforçava não pensar. - Porque é que nunca me telefonaste ou mandaste uma carta?
Ele bufou e desviou o olhar de mim, franzindo o sobrolho apertando o meu ombro.
- Nós namoramos durante um ano - disse olhando para mim - quando soube que eu ia mudar de pais, eu perguntei se devia ou não ir para cá, tu disseste para vir para aqui e no dia que foi tu acabaste comigo. Eu pensei que era melhor me afastar.
- Não era preciso deixar de falares - disse enquanto o guia nos guiava para o altar - mas águas passadas. Como está a tua família?
- Bem, o meu pai é presidente de uma firma de advogados e a minha mãe trabalha como advogada para ele - disse sorrindo.
- Manda um olá por mim, por favor - pedi sorrindo.
Estávamos agora na nave e a nossa frente estava a Nora com Taylor e o Nathan, Clary estava a frente com Luck e Aurya. Andrew estava a olhar para eles e então olhou para mim.
- Eles sabem?
- O quê? Sobre nós? Não exactamente, elas sabem que tive um namorado que mudou de país, mas de resto nada de mais.
- Não isso - disse rindo - elas sabem quem és? Que tu és podre de rica?
- Não, elas também não se interessam nisso - disse encolhendo os ombros.
- Isso é bom.
De repente o grupo parou no altar e o guia virou-se para nós com um olhar divertido. Eu olhei para o tecto vendo os vidrais e o altar tradicional e rico de detalhes.
- Agora imaginem o que era casar aqui neste altar - disse sorrindo o guia - mas porque imaginar não é? Tu e tu venham aqui.
Ele apontou para Nora e para Taylor que um pouco espantados avançaram até estarem a frente do altar e do guia, que sorriu divertido.
- Agora olhem um para o outro - disse sorrindo.
Eu olhei para Andrew que encolheu os ombros perante a situação. Nora olhou para Taylor um pouco hesitante e Taylor olhou para ela nos olhos e demasiado serio como se tivesse a controlar algo para não mostrar na sua expressão.
- Agora imaginem que estão a se casar - disse o guia o que fez com que varias pessoas no grupo rissem levemente, Taylor passou a mão pelo cabelo obviamente incomodado e olhou para o guia friamente, Nora não se mexeu enquanto olhava para Taylor mas conseguia ver que as suas mãos estavam a tremer. - Vá lá olha para ela.
Taylor olhou para Nora desta vez com uma marca de preocupação nos olhos.
- O que se passa aqui? Eles os dois namoram? - Perguntou Andrew - e a... Aurya e o Nathan?
- Não na verdade nós só os conhecemos hoje - disse baixo encolhendo os ombros.
- Mas algo se está a passar, certo?
- Começamos no pé esquerdo.
Ele assentiu e voltou-se para o que se estava a passar.
- Agora - disse o guia - olhem para os vossos grupos.
Nora desviou o olhar de Taylor e finalmente pude ver um certo pânico no seu olhar. Olhei para Clary que estava perto de Luck e olhava pronta para tirar Nora daquela situação.
- Vocês imaginem o que seria casar aqui? A catedral cheia, um evento belo para unir duas pessoas para sempre. É fácil de imaginar.
Notei que Nora estava com as mãos a tremer e olhava para o chão com o cabelo a tapar o seu rosto e então reparei que Taylor segurou a sua mão de leve e ela relaxou.
- Romântico, não é? Mas vamos ter que continuar a visita...
Ele avançou para o meio da igreja passando por nós. Nora olhou de canto para Taylor e largou a sua mão num instante seguindo o guia. Andrew ao meu lado riu baixinho e deu-me a mão para seguir o guia.
Durante o resto da vista conversamos de tudo e mais alguma coisa, mas evitávamos conversar sobre o nosso passado e sobre a nossa vida amorosa, dentro de mim eu queria saber se ele se apaixonara. Mas estar com ele ao meu lado enquanto ele me dava a mão e me olhava era como se o tempo não tivesse passado. Porém, a visita não durava o tempo suficiente e quando acabou ele acompanhou-me até ao autocarro.
- Bem, foi muito bom ver-te de novo - disse beijando-me as costas das mãos sorrindo para mim - só é pena teres que ir embora tão cedo, eu adorava ter contigo ainda hoje a noite mas infelizmente tenho um jogo, não podes ir ver?
Eu passei a mão pelo braço e olhei para o pessoal que entrava no autocarro, Nora olhou-me preocupada e para o Andrew mas entrou de seguida, Clary que estava mais atrás na fila sorriu-me e Aurya que estava a ver fotos com o Nathan olhou-me de canto apenas para me verificar.
- Não posso, estou num hotel no centro da cidade e se sairmos tem que ser para perto - disse triste. - Mas da-me o teu número.
- Desde que prometas que me ligas - disse sorrindo.
Eu peguei no telemóvel dando-lhe.
- Prometo.
Ele pus o número no telemóvel e deu-mo de volta.
- Anya!
Olhei para a porta do autocarro e vi que a Aurya era a única fora a minha espera. Gemi e olhei para ele sorrindo triste.
- Foi bom voltar a ver-te - disse enquanto ele me abraçava apertado.
Ele não disse nada e afastou-se o suficiente para olhar para mim nos olhos e então olhou para o meu pescoço.
- Tu ainda tens o colar que te dei - disse pegando nele com a voz rouca.
- Claro que tenho. - disse dando-lhe um beijo leve na bochecha - eu tenho que ir - murmurei quando ouvi a Aurya me chamar.
Ele largou-me assentindo apertando a minha mão até o autocarro começou a trabalhar. Ele olhou-me com os olhos verdes brilhantes e sorriu ao me largar. Virei-me rapidamente e entrei no autocarro antes que eu me atirasse a ele. Reprimi a tristeza e virei-me para a porta que se fechava e acenei-lhe enquanto ele me olhava e então o autocarro com um solavanco avançou. Passei a mão pelo coração de prata... Será que voltaria a vê-lo?
Viagem Inesquecível

Comentários

Mensagens populares