domingo, 3 de novembro de 2013

A Fotografia Perfeita, Aurya

Ao acordar a primeira coisa que reparei foi que lá fora estava a chover e não havia muitas luzes para perceber onde estávamos, só podia ver as luzes das estradas a iluminar a estrada enquanto o autocarro avançava. Estiquei-me e olhei para o lado, Anya estava com os auriculares no ouvido e estava encostada ao encosto dos braços quase a cair para o lado, Clary a nossa frente estava encolhida no banco a dormir e a rapariga que nós conhecemos a Marise estava encostada a janela. 
O autocarro estava quase silencioso expepto, é claro, do ocasional roncar de alguns homens. Eu olhei para trás a procura de Nora que estava sentada nos bancos a beira da escada. Sentei-me direito pensando que estava a ver mal o que se estava a passar, mas não era ilusão nenhuma, Nora estava com as pernas esticadas na barra que separava os bancos da escada, com um cobertor a cobrir a ela e ao rapaz e ela tinha a cabeça no ombro dele enquanto ele estava com a mão dada com ela. Mas que raio se passara? Fora durante o sono? Ele remexeu-se no sono e acordou, eu baixei-me para ele não reparar que estava a olhar, ele olhou para ela e viu que estava no seu ombro franziu o sobrolho e bocejou ao mesmo tempo, sorriu de seguida e encostou a sua cabeça a dela, adormecendo de novo. 
Virei-me encostando-me ao banco. Nora fora magoada por um rapaz que a tinha na mão, sabia os seus segredos e sabia como magoa-la, ele sabia bem o que fazer para pó-la dependente, ciumenta e desesperada por ele. Se isso acontecesse de novo eu não me perdoaria, eu vira todos os sinais e invés de por um fim a situação fiquei calada. Não é como se aquele rapaz fosse o tipo dela, e ela se apaixonasse por ele, mas iria ficar atenta, ela nunca chorara na vida por razões idiotas até ao dia que Jack partiu o seu coração. 
Era nestas situações que agradecia nunca me ter apaixonado e ter um namorado, eles só servem para partir o coração das pessoas e reduzir a auto-estima. Não é como se fosse alguém que era contra o amor e blá blá blá, só existe nos contos de fadas e nada mais. Apenas era realista. Algumas pessoas tinham sorte encontravam alguém que estão destinados a ter uma vida de felicidade, outros encontram vários amores na vida uns mais importantes que outros e que não se cansam de procurar e outros que não importam com o que encontram e resolvem se assentar. Eu era o tipo de pessoa que andava pela onda, não procurava, não encontrava, era simples e eu estava feliz com o que tinha se estava destinada a algo que aconteça. Só que ainda não aconteceu nada. Não estou a espera de um amor, apenas algo para ter a certeza que não era invisível.
Nesse momento as luzes se ligaram todas e algumas pessoas acordaram com a luz e outros apenas resmungaram e viraram para o lado tapando-se da luz. Anya esticou-se e sorriu para mim antes de se virar para trás para a Nora, eu olhei e vi que eles não se mexeram.
- Mas que raio se está a passar por ali? E quem é ele? - Perguntou aparvalhada.
Clary olhou também e ficou aparvalhada.
- Aquele chama-se Taylor, ele veio comigo e com mais dois amigos - disse a Marise de repente nos fazendo saltar.
Eu olhei para ela e vi que ela estava a olhar curiosa para Nora e para o Taylor.
- Ok, é interessante saber o nome dele mas porque é que eles estão assim? - Perguntou Clary.
- Eu não sei, deve de ter acontecido durante a noite - disse-lhes encolhendo os ombros.
- Boa noite a todos - disse a voz do motorista através de um microfone. - Vamos fazer uma paragem agora quem quiser sair para se esticar ou comer algo, tem apenas meia hora para isso.
Olhei para o lado e vi que estávamos a entrar numa estação de serviço, ele estacionou e abriu as portas, alguns se levantaram esticando-se indo para as portas para sair, nós esperamos até que éramos só nós e saímos indo até Nora e Taylor. Eles estavam a dormir profundamente. Marise riu-se e pegou numa maquina fotográfica e tirou uma fotografia.
- Então deixamos-os aqui ou acordamos-os? - Perguntou Clary.
- Nora! - Chamei baixinho. - Nora!
De repente acordou lentamente e olhou para Taylor, assustando-se afastando-se fazendo-o cair acordando-o.
- Que se passa? - Perguntou meio a dormir preocupado.
Ambos olharam para as mãos que ainda estavam agarradas, e largaram imediatamente envergonhados.
- Ok, esquecendo este momento embaraçoso, Nora nós vamos descer estamos numa estação de serviço vens? - Perguntei revirando os olhos.
Ela olhou para ele e de seguida para nós confusa.
- Er... sim, eu vou com vocês - disse levantando-se e parou olhando para Taylor que estava parado a olhar para ela.
Todos olhamos para ele a espera, mas ele não se mexia. Eu tossi e ele levantou-se apercebendo-se que estávamos a olhar.
- Certo, vamos então - disse colocando o casaco obviamente envergonhado.
Todos demos um olhar uns aos outros antes de descermos para fora do autocarro. Marise acenou e virou-se para as casas de banho que estavam num edifico atrás do autocarro com o rapaz que estivera a beira de Nora.
Nós fomos em direcção ao café que estava a beira e ainda a trabalhar aquela hora, o que vale é que não estava a chover mas estava frio e vento o suficiente para entrar a correr na cafetaria e nos sentarmos apressadas. Ficamos numa mesa perto de um aquecedor e vimos a fila enorme para serem servidos por isso ninguém se levantou para ir para a fila.
- Explica lá o que se passa entre ti e o Taylor - pedi olhando para Nora que estava curiosamente interessada na casaca.
- Não se passa nada - disse olhando para nós confusa - como é que sabem o nome dele?
- A rapariga que está a minha beira, a Marise, disse-nos o nome dele, ela veio com ele e com outros dois amigos - disse Clary encolhendo os ombros.
- Engraçadinho - murmurou Nora rindo. - Mas nada se passa.
- Então explica-nos como é que tu dormiste praticamente agarrada a ele - pediu Anya olhando para ela analisando-a .
Nesse momento a porta atrás de mim abriu-se e Taylor e Marise entraram a conversar muito intensamente, olhei de canto para Nora e ela estava a olhar atenta com apenas um pouco de curiosidade. Olhei de novo para Taylor e vi que ele estava a observar toda a cafetaria apenas parando quando nos viu sorrindo um pouco antes de seguir Marise até ao meio da fila onde estavam dois rapazes que o cumprimentaram-no.
Olhamos de seguida para Nora que estava a observa-los mordendo o lábio levemente, ela sempre fazia quando estava nervosa ou quando não queria ser reparada. Mas era impossível não ser reparada, ela tinha cabelo castanho claro até a meio das costas, olhos cinzentos e pele morena e baixinha, ela estava com um casaco azul estilo marinheiro, umas leggins e umas botas de cano alto e salto, era o que se podia chamar de menina boazinha, por isso é que era estranho ver o Taylor a beira da Nora. Totalmente diferentes.
- Então? - Perguntou Anya - o que é que se passou?
- Não sei, estava a dormir encostada a janela praticamente, devo de me ter virado e encostado nele - disse Nora olhando para nós envergonhada.
- Só a ti é que acontece este tipo de coisas, mas ele parece um pouco... - disse Clary fazendo uma careta a pensar no que devia ou não dizer.
- Para o maluco - concluiu Anya.  - E perigoso.
- Nada a tua cena, na verdade não parece ser o género de ninguém - disse-lhe preocupada.
- Não tem nada a ver com género - disse Nora irritada a olhar-nos - não tem nada a ver com a minha cena ou não, é só a primeira impressão que ele da que vós faz pensar assim e mesmo assim o que é que vocês estão a pensar? Que eu vou me apaixonar pelo primeiro rapaz que me apareça a frente depois do que se passou comigo?
Ficamos caladas a olhar para ela, era a primeira vez que ela falava sem chorar sobre o que se passara. Mas mesmo assim o que nós fizemos fora um pouco falta de tacto e nenhuma de nós sabia o que dizer.
- Nora - chamou uma pessoa atrás dela todas levantamos o olhar para ver que o Taylor estava atrás dela com um tabuleiro, ele estava serio demais ele pousou o tabuleiro e pôs a frente dela um copo de leite de chocolate e um bolo de chocolate - eu não sabia o que gostavas por isso optei por chocolate.
Nora estava a olhar para ele aparvalhada sem saber o que dizer e nós éramos os seus espelhos. O que raio!?
- Eu... ham... não posso aceitar - disse Nora com a voz dura parecendo zangada.
Ela estava pálida a olhar para ele e o seu peito subia e descia rapidamente como se tivesse com falta de ar.
- Ei! Calma! Eu só reparei que deixaste a mala no autocarro e pensei que estarias com fome, por isso paguei -te um pequeno lanche, não e nada de mais! - Disse confuso e irritado. - Não precisas de agradecer! Se quiseres até pagas depois!
Nora enterrou a cara nas mãos completamente vermelha e a beira de lágrimas, Anya colocou uma mão no seu ombro mas nem eu nem elas sabíamos o que fazer.
- Desculpa, eu não te queria insultar - disse com a voz rouca - apenas fizeste-me lembrar alguém.
Taylor observou-a atordoado parecia que nunca recebera um pedido de desculpas. Abaixou-se a beira dela tirando as mãos da cara dela, limpou-lhe as lágrimas com o rosto mais calmo e entregou-lhe um lenço do bolso. De seguida levantou-se e sentou-se perto de nós a beira de um dos rapazes que tinha estado na fila com ele e entregou-lhe uma maquina fotografica
- Ei! Estás bem? - Perguntei-lhe preocupada.
Nora limpou as lágrimas e sorriu um pouco forçado.
- Desculpa o que dissemos, não era a nossa intenção, nós só não queremos que te magoes - disse-lhe sorrindo levemente - e a maneira como estavam a dormir, sei lá parecia que algo estava a acontecer.
- Eu percebo a vossa reacção, mas o Taylor é apenas alguém que está ao meu lado no banco - disse pegando no leite chocolate.
- Ohhhh, mas ele foi um fofo a te pagar isso - disse Anya sorrindo contente.
- Apesar de estar sempre serio - disse Clary rindo - eu vou mas é pegar alguma coisa para nós.
Ela levantou-se e foi para a fila. Anya começou a perguntar a Nora tudo o que se passara no autocarro quando eles começaram a se falar, Nora corava um pouco enquanto contava o que se passara. Eu, no entanto estava atenta ao Taylor que de vez enquanto olhava para nós, curioso, e falava com o amigo que parecia mais interessado na maquina fotográfica profissional que tinha na mão do que no que Taylor estava a falar. Atrás deles, Marise estava a falar com o outro rapaz e parecia que estavam a discutir.
Eu sempre quisera uma maquina fotográfica daquele género, para capturar momentos ideias, com qualidade, amava estar por trás da câmara, era para isso que nascera, dar luz nas outras pessoas, estar nos bastidores, era a melhor coisa que fazia.
- Aurya! - Exclamou Anya sorrindo para nós quando Clary que voltou com tabuleiro com tostas e bebidas para nós as 3 - estás a ouvir?
- O que foi?
- Estávamos a falar sobre a viagem o que achas de formar um grupo com o grupo de Marise, quantos mais melhor e com a nossa tendência de ficar perdidas é melhor estarmos com alguém por perto - disse sorrindo.
Eu conhecia aquele olhar, ela estava a preparar algo, Nora revirou os olhos e reparei no Taylor a sair com os amigos para fora da cafetaria.
- Por mim era perfeito - disse sorrindo.
Nesse momento uma funcionaria passou por nós para limpar a mesa deles e virou-se de repente para nós.
- Desculpem-me mas conhecem as pessoas que estavam aqui nesta mesa? - Perguntou sorrindo levemente.
- Sim, pode-se dizer que sim - respondi - o que se passa?
- Deixaram está maquina aqui - disse erguendo a mão mostrando a maquina fotográfica que o amigo do Taylor tinha. - Podem entregar, certo?
- Sim - disse pegando na maquina fotográfica - obrigada.
Ela sorriu e afastou-se rapidamente.
- Quem é o estúpido que se esqueceu de uma maquina fotográfica destas num local publico? - Perguntou Anya enquanto pousava a maquina na mesa .
- Provavelmente a pessoa que tirou uma foto de Aurya a dormir no autocarro - disse Nora a olhar para a maquina espantada.
- O quê?! - Perguntei pegando na maquina virando-a onde tinha uma foto minha a dormir com o rosto virado para a câmara.
- Quem fez isto? - Perguntou Clary ao meu lado espantada.
- O Taylor - procurando nas restantes fotos procurando alguma pista. - e até tem jeito para fotografia e tirou-nos uma foto na estação de autocarros.
Eu mostrei-lhes a foto onde estávamos todas sentadas no banco.
- Vamos! - Exclamei desligando a maquina e pegando no meu copo com café. - Vamos falar com ele.
Elas levantaram-se confusa e seguiram-me para fora da cafetaria.
- Mas explica-me lá o que vais fazer? - Perguntou Nora preocupada.
- Vou apenas perguntar porque nos tirou fotos - respondi encolhendo os ombros enquanto-me protegia do frio.
- Tu não vais só perguntar isso, Aurya!
- Pois não, não vou!
- Coitado do rapaz - murmurou Clary - ei! Eu seguro-o e tu perguntas, ok?
- Combinado - disse sorrindo levemente.
Fomos em direcção ao autocarro, Taylor estava com o amigo a conversar a beira da porta do autocarro. O amigo dele era mais alto que Taylor, tinha cabelo castanho curto, olhos castanhos, moreno, com os ombros largos e braços largos, ele tinha corpo para lutador de boxe, ele olhou para nós e sorriu levemente. Ele estava com casaco de cabedal e calcas de ganga
- Olá, alguém aqui perdeu uma maquina fotográfica? - Perguntei erguendo a maquina parando a frente deles.
Nora parou ao meu lado parecendo um pouco incomodada, sabendo que isto ia correr mal, Clary sorria mas tinha um brilho perigoso nos seus olhos e Anya apenas parecia divertida. O Taylor pegou na mala grande de maquina fotográfica e procurou mas não encontrou nada. Corou levemente e olhou-me envergonhado.
- É minha, obrigada - disse dando um passo para pegar nela mas eu me afastei rapidamente.
Liguei a maquina e passei para a imagem onde nós estávamos e mostrei-lhe.
- Podes me explicar isto? - Perguntei calma a olhar para ele.
Ele ficou sem falar e então ficou aborrecido olhando de canto para o amigo que parecia incomodado.
- Isso é pessoal, não tens o direito de mexer nela e ver as fotografias - disse tentando agarrar a maquina mas afastei-me.
- É verdade, mas quando pegamos na maquina, ela estava ligada e estava nesta foto - disse passando para a foto onde eu dormia e mostrei-lhe.
Taylor ficou espantado e olhou para o amigo de relance e depois para nós.
- Não tinhas o direito de nós tirar fotos a nós, muito menos a ela sem permissão -disse Nora irritada.
- Mas o que te faz pensar que eu tirei? Eu estava ao teu lado este tempo todo - disse irritado olhando-a.
- Eu sei lá, enquanto eu dormia - disse encolhendo os ombros parecendo furiosa desta vez.
- Eu não... Ok, eu tirei, eu levantei-me e foi até ao meio do corredor para tirar uma foto dela enquanto dormia, porque é assim que eu funciono, sou um pervertido sem limites para fazer este tipo de coisas - disse revirando os olhos parecendo mais irónico do que sincero. - É assim que eu funciono.
- Pará! - Exclamou o amigo pondo a mão no seu ombro - não foi ele, e por amor de deus, Taylor pará de ser tão defensivo, deus! Foi eu que tirei a foto, eu estou perto do vosso lugar!
Taylor encolheu os ombros e Nora ficou corada a olhar para ele sem saber o que dizer. O rapaz avançou e pegou na maquina das minhas mãos e eu nem me conseguia mexer enquanto ele me olhava nos olhos, ele olhou para a foto e então olhou para mim.
- Se queres discutir com alguém é comigo mas nem penses que eu vou apagar as fotos - disse com meio sorriso.
Clary tossiu levemente e nos olhamos para ela.
- Nós vamos para dentro e vamos deixar-vos a discutir, eu não quero ficar doente - disse e entrou no autocarro com Nora e Clary atrás dela.
O Taylor deu uma palmada nas costas dele e foi atrás delas com um meio sorriso divertido.
- Tu não tinhas o direito de nos fotografar, se fosse sem querer era na boa! Mas isto foi propositado - disse irritada.
- Sim é verdade, eu não tinha o direito nem a permissão mas não pode evitar - disse sorrindo elegante e sedutor - são todas muito bonitas.
Não sei o que se passou mas de repente só tinha consciência que tinha uma bebida quente na mão e que estava furiosa pela maneira como ele estava a me tratar e não consegui pensar direito, levantei a mão para lançar a bebida quando ele deu um passo em frente e me parou a tempo, segurando o meu pulso, ficando com o rosto demasiado próximo do meu. Engoli em seco enquanto observava os seus olhos castanhos ficarem negros.
- Eu apenas tirei a fotografia porque te achei muito bonita, não te sei explicar porque foi um impulso, se quiseres eu elimino a foto - disse parecendo arrependido.
- Não faz mal - gaguejei confusa - mas para a próxima pede.
Afastei-me dele e entrei no autocarro, subi as escadas, olhei para Nora que estava a mexer na mala e para o Taylor que estava a desenhar.
- Desculpa - pedi olhando para ele.
Ele olhou-me e sorriu brevemente como um agradecimento. Virei-me e reparei que tinhas as mãos a tremer enquanto andava pelo corredor, a ultima vez que estivera assim tão nervosa fora quando eu me apaixonara por um rapaz durante 4 anos, é claro que ele era um parvalhão. Mas aquele rapaz era diferente, havia algo que me puxava todos os meus botões.
Olhei para trás ele estava mesmo atrás de mim ele olhou para mim e sorriu fazendo o meu coração saltar.
- Já agora desculpa por tudo isto e obrigado por me dares a maquina fotográfica - disse sorrindo ficando mais próximo de mim.
- Não faz mal - disse encolhendo os ombros olhando para a a frente.
- Já gora chamo-me Nathan.
- Aurya - disse e parei quando cheguei ao meu lugar, Anya estava com Clary no lugar e Marise estava com um rapaz a beira. - Que se passa?
- Aurya, desculpa, mas não te importas de ficares a beira do Nathan? - Perguntou-me Marise sorrindo como quem pede desculpa.
- Se quiseres eu fico no lugar - disse Clary sorrindo.
- Ham... não deixa estar - disse dando um gesto impaciente com mão e deixei o Nathan passar por mim para me mostrar o lugar.
Ele sentou-se a beira da janela e eu sentei-me a beira dele, pondo a mochila no chão procurando pelo mp4.
- Então fazes isso muitas vezes? - Perguntei de repente olhando-o de canto.
- O quê? - Perguntou-me confuso.
- Ter impulsos de fotografar uma rapariga a dormir? - Perguntei com meio sorriso.
- Não, nunca tive - disse rindo guardando a maquina na mala a maquina fotográfica. - Acho que é preciso ver a pessoa certa para ter esses impulsos.
- Eu devo de considerar isso um elogio? - Perguntei rindo olhando para ele enquanto ligava o mp4.
- Talvez quem sabe - disse encolhendo os ombros - já agora o que se está a passar entre a Nora e o Taylor?
Não fiquei espantada por ele saber o nome dela mas olhei para ele atenta.
- Não se passa nada, pela parte da Nora. Porque? Está algo a se passar da parte do Taylor?
- Não -disse depressa demais e então olhou para mim com os lábios numa linha - ok, ele está curioso apesar de não admitir e ele não é uma pessoa que mostra o que está a pensar, ele é obtuso, mas boa pessoa.
- Apesar de não parecer.
Ele acenou e nessa altura começaram a chegar as ultimas pessoas para os lugares e passado uns minutos estávamos de volta a autoestrada. Nathan pôs os auscultadores e eu consegui ouvir a musica de Cruise de Nelly.
- Gostas da musica? - Perguntou sorrindo.
- Por acaso, sim - disse sorrindo de canto - gosto muito das musicas do Nelly.
Ele sorriu levemente, e olhou-me analisando-me da cabeça aos pés, ergui a sobrancelha a espera.
- Já alguma vez te disseram que és bonita?
Fiquei a olhar para ele espantada mas então recuperei-me rapidamente.
- Não, estão mais ocupadas a olhar para o lado do que para mim.
- Não fazem ideia do que tem a frente então - murmurou colocando os auscultadores no ouvido fechando os olhos para dormir.
Olhei para ele por alguns instantes. Ele era real ou era a minha imaginação a me pregar partidas por estar tanto tempo sem um namorado?


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